Calcaneodinia ou Talalgia

O dor na região posterior do pé é uma das dores mais frequentes do Ortopedista, principalmente do cirurgião ortopedista especialista em pé. O Cirurgião de pé  denomina essa dor de calcaneodinia (algumas vezes essa dor é chamada de talalgia). Uma das causas mais frequentes dessa dor é a fascite plantar.
O que é o Fascia Plantar?
R. O fascia plantar é um ligamento que se origina no aspecto medial da face inferior do osso calcâneo e se insere na base das falanges proximais dos artelhos. A sua principal função e manter o arco plantar.
O que é fascite Plantar?
A fascite é uma inflamação no fáscia plantar, comumente na sua inserção junto ao osso calcâneo. Frequentemente surge na região um osteófito também chamado de esporão de calcâneo. Outros nomes são: bico de Galo ou de Papagaio. Em inglês a fascite palntar é chamada de Plantar Heel Pain
O que é o esporão de calcâneo?
R. O esporão de calcâneo é uma calcificação que surge na região inferior da osso do calcâneo causada por microtraumas repetidos nessa região.
O esporão de calcâneo espeta e causa a dor na fascite plantar?
R. Não. A dor é causada por uma inflamação na região. O esporão é uma calcificação na origem de tendões e ligamentos nessa região do calcâneo. Essa calcificação ocorre em outras partes do corpo como a coluna e o ombro ou mesmo na parte posterior do calcâneo ( inserção do tendão de Aquiles ).
Porque ocorre a calcificação no esporão de calcâneo?
R. A calcificação ocorre devido a microtraumas repetidos na região, ocorrem pequenas rupturas na inserção dos ligamentos e tendões e inicia-se o processo de cicatrização. Devido a fatores locais ( liberação de substâncias inflamatórias) ocorre uma metaplasia ( processo de cicatrização com células diferentes das células habituais da região) e surge um tecido calcificado na origem dos ligamentos e tendões. De modo simplificado é como se o osso crescesse para dentro dos ligamentos.
O esporão de calcâneo é muito frequente?
Sim, O esporão de calcâneo está presente numa parcela significativa da população. Lembrando não é o esporão de calcâneo que espeta e causa a dor, portanto observamos o esporão em pessoas sem dor na região.
Se o esporão não causa a dor porque meu ortopedista disse que eu estou com esporão de calcâneo?
R. O esporão de calcâneo é um signo (sinal) radiológico que está presente em todas as pessoas que sofreram ao longo dos meses (ou dos anos) um microtraumatismo na região. Ter esporão de calcâneo não é igual a ter dor e não é necessário operar o esporão para curar a dor. Muitas vezes o médico ( ortopedista, reumatologista, fisiatra, etc.) usa termos mais simples para que o paciente tenha uma idéia da sua patologia. Resumidamente pacientes com esporão de calcâneo tem uma grande incidência de calcaneodinia. A calcaneodinia (com dor na região inferior da calcâneo) é pouco frequente em pacientes sem o esporão e no futuro esses pacientes podem apresentar o esporão. O explicação para isso e simples: a dor é causada pela inflamação no local, a inflamação por sua vez é causada por microtrauma. Para aparecer a calcificação (o esporão) são necessários vários meses ou anos com microtrauma na região e deve ocorrer a metaplasia no local. Se faltar um desses fatores não aparecerá o esporão. " Em medicina pas toujours ou jamais " Em medicina nem sempre nem nunca.
Qual a incidência de Fascite Pantar?
Segundo Peter Toomey uma em cada dez pessoas irá apresentar fascite plantar ao longo da vida.
Quando surge a fascite plantar?
R A fascite plantar surge em geral após os 30 anos de idade e o pico de incidência ocorre entre os 40 e 60 anos. Pacientes com fascite plantar bilateral com menos de 30 anos de idade podem apresentar esponliloartropatias reumáticas.
Quais pessoas sofrem mais com a fascite plantar?
R. Pacientes obesos, Pacientes com qualquer peso e que fizeram longas caminhadas ou ficaram muito tempo em pé em superfícies duras, pacientes com diminuição da dorsiflexão do tornozelo e corredores.
Qual o tratamento da fascite plantar?
A fascite plantar é tratada habitualmente com antinflamatórios orais, tópicos, injetáveis, ou injeções locais (infiltrações). Tratamentos tópicos como agua morna com sal no final do dia também são úteis. Alguns casos também se beneficiam de alongamentos e fisioterapia analgésica. A cirurgia também é uma possibilidade, porém, somente para casos específicos. Converse com seu ortopedista. ele saberá orientar o melhor tratamento para o seu caso.

Ortopedista, Traumatologia e Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
atualizado em 05/07/2013

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MARCOS BRITTO DA SILVA
Brazil
- Médico Ortopedista Especialista em Traumatologia e Medicina Esportiva - Chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Pró-Cardíaco, - Professor Convidado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, - Membro Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte | SBMEE, Médico do HUCFF-UFRJ, - International Affiliate Member of the AAOS - American Academy of Orthopaedic Surgeons - Membro da Câmara Técnica de Ortopedia e Traumatologia do CREMERJ, - Especialista em Cirurgia do Membro Superior pela Clinique Juvenet - Paris, - Professor da pós Graduação em Medicina do Instituto Carlos Chagas, - Professor Coordenador da Liga de Ortopedia e Medicina Esportiva dos alunos de Medicina da UFRJ, - Membro Titular da SBOT - ( Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), - Membro Titular da SBTO - ( Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico), - Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da UFRJ - Internacional Member AO ALUMNI Association, - Internacional Member: The Fédération Internationale de Médecine du Sport,(FIMS)/International Federation of Sports Medicine (http://www.fims.org),