Dr. Marcos Britto da Silva - Ortopedia, Traumatologia e Medicina Esportiva: Hospital Municipal Lourenço Jorge

Hospital Municipal Lourenço Jorge

Os anos passam e vamos esquecendo as histórias, por isso resolvi escrever esse artigo sobre o tempo que trabalhei no Hospital Municipal Lourenço Jorge. 

Entre 1996 e 2003 fui ortopedista do Hospital Municipal Lourenço Jorge. Nesses oito anos de trabalho em regime de Cooperativa (Cooperar Saúde) fizemos um trabalho muito bom , criamos um dos melhores serviços de ortopedia da Segunda metade dos aos 90, implantamos um Serviço de Residencia Médica em Ortopedia que chegou a ser a primeira opção entre os candidados entre os anos de 2000 e 2003. 

Trabalhávamos em regime de Cooperativa, na verdade o sistema de cooperativa serviu simplismente para pagar os médicos e contratar sem concurso público, porém permitiu que o serviço fosse formado pelos melhores ex residentes da primeira metade da década de 1990 e alguns apadrinhados políticos.
  
A Chefia do Serviço era do Professor Paolo Chimisso, ( a pronuncia é Quimisso e a origem é italiana e não Japonesa) ele escolheu os melhores ex residentes recentes. Eu havia me formado em 1994 e em 1996 era o mais "mais antigo".  Nessa conta não estão os médicos vindos do Lourencinho, somente os escolhidos para compor o Staff da ortopedia. Após sermos escolhidos e entrevistados pelo Paolo Chimisso fomos contratados pela Cooperar Saúde. 

Iniciar um Serviço de Ortopedia é realmente um desavio muito grande. Apesar de ainda ter 29 anos em 1996 eu já trabalhava há 4 anos como Staff da Emergência do Hospital Municipal Miguel Couto e havia feito a residencia entre 1991 e 1994 no HUCFF com a Emergência aberta o que me conferia o status de "experiente" num Serviço de Emergência. Na verdade eu havia iniciado minha vida na Ortopedia ainda em 1990 num estágio de 6 meses no Internato do Serviço de Traumato Ortopedia do HUCFF.

Em 1992 fui chamado pelo Chimisso para auxilia-la na cirurgia do Chico que havia quebrado o tornozelo jogando futebol e mais tarde trabalhamos juntos do Hospital de Clinicas São Jerónimo na Estrada Miguel Salazar Mendes de Morais em Jacarepaqua que depois trocou de nome e faliu. (mais uma dessas clinicas que contratam médicos e não pagam sálario além de se apropriar indevidamente na sua produção). 

Talvez por me conhecer a mais tempo ou por ser mais "experiente" que os demais Chimisso me escalou para realizar a Primeira cirurgia e inaugurar o Centro Cirúrgico, inicialmente achei que seria a primeira cirurgia da ortopedia, depois descobri que foi a primeira cirurgia do centro cirúrgico do novo Hospital Lourenço Jorge, pois a cirurgia Geral ainda não havia operado. O paciente não me recordo o nome, porém, era um paciente com fratura exposta de fémur esquerdo com 5 dias de evolução, internado no Hospital Cardoso Fontes e foi a primeira transferência para o Lourenço Jorge. Ao chegar descobrimos que a fratura era na verdade exposta e que a ferida apresentava sinais de infecção, colocamos no centro cirúrgico pois o paciente apresentava sinais iniciais de sepse, não tenho certeza absoluta porém acham que os auxiliares foram Pedro Mendes, Sandro Adeodato e Glaucus Cajaty. Abrimos as caixas e descobrimos que não tínhamos afastadores para fêmur! 

Realizamos a cirurgia com limpeza Mecano Cirurgica e montagem de um fixador externo. O afastamento do femur foi feito pelos auxiliares com a mão simulando uma garra tipo o "afastador de  Israel". Me recordo que surpreendi os colegas realizando a passagem dos pinos do fixador externo percutaneamente sem uma via de acesso ampla, experiência adiquirida com Professor Irocy Guedes Knackfus e Stella Rosembaum na montagem de Aparelhos de Ilizarov no HUCFF e nos 4 anos de emergência do Hospital Municipal Miguel Couto.

A primeira cirurgia fora do Centro Cirúrgico na chamada Sala 5 (Quinta sala de cirurgia que ficava localizada na emergencia, ao lado do Politrauma, idealizada por Eduardo Kanaan - Cirurgião Geral) foi uma redução incruenta e pinagem percutânea com fio de Kirshinner, de uma fratura do 1/3 distal do Radio, . Infelizmente com o passar dos anos a sala 5 parou de ser utilizada por pressão do Serviço de Anestesia que achava complicado deslocar um anestesista para fora do centro cirúrgico.

A concepção do trabalho no hospital era muito boa: 40 horas de trabalho. Fazíamos 2 plantões de 12 horas na emergência ( 12 horas dia e 12 horas noite) e 2 dias de rotina no centro cirúrgico de 8 horas. O ambulatório era feito no mesmo dia da rotina ou do plantão em parte do horário. Atendíamos o paciente na emergência, realizávamos a cirurgia na emergência, acompanhávamos o paciente internado, realizávamos a cirurgia na rotina e acompanhávamos no ambulatório, ou seja iniciávamos e terminávamos o tratamento.Vejo esse como o modelo ideal de trabalho ortopédico porém que não foi reproduzido novamente desde a Saída do Paolo da chefi o que iniciou o desmonte desse modelo de trabalho.

Trabalhávamos em equipe, se a emergência estava tumultuada a equipe da rotina operava os pacientes da emergência. Após a alta se o paciente precisava de uma nova cirurgia para retirado do material de síntese, enxero ou qualquer outro procedimento o médico que o acompanhava no ambulatório era o mesmo na cirurgia eletiva. Nunca havia trabalhado com essa forma e isso foi uma oportunidade muito boa para o crescimento profissional. usávamos as técnicas mais modernas da época, como o uso de Hastes Intramedulares e placas ponte inclusive no Membro Superior. Isso me deu uma ideia e desenvolvi uma nova técnica com colocação de placas ponte com dupla via de acesso posterior ao úmero em 1997, trabalho que apresentei anos mais tarde no Congresso Brasileiro de Ombro e Cotovelo em Belo Horizonte. Hoje realizo pouco essa cirurgia e prefiro a dupla via de acesso anterior descrita por Livane e Belangeiro em Campinas.  

Trabalhei no Lourenço Jorge entre 1996 até 2003. Chimisso era o tipo de chefe estilo Nova Monteiro no sentido de brigar intensamente pela qualidade do serviço, isso no Serviço Público é complicado, mais cedo ou mais tarde você acaba brigando com a Direção do Hospital, Nova Monteiro foi aprovado num concurso público para chefe vitalício do Hospital Miguel Couto e em 2003 Chimisso foi retirado da chefia.e foi substituido por Nelson Elias.
Com a entrada do novo chefe os 5 médicos mais antigos do Hospital e que não tinham vínculo estatutário da Prefeitura foram demitidos, era o início do desmonte. Superado o choque inicial de uma demissão, isso se mostrou uma ótima oportunidade pois tive mais tempo para me dedicar ao Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Desde meados da década passada trabalhava como Staff da Emergência do HUCFF no Plantão de Sábado. Como fiquei com mais tempo livre durante a semana fui para a Rotina e iniciei o Ambulatório de Subespecialidade de Ombro e Cotovelo. Outra, com mais tempo também consegui me dedicar e terminar o Mestrado. Com o término do Mestrado fui convidado pelo Professor Antonio Vitor para dar aulas para os Alunos da Graduação como Professor Convidado da Faculdade de Medicina da UFRJ.

Resumidamente o Hospital Municipal Lourenço Jorge foi muito importante na minha Vida tanto do seu início quanto no final. 

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