Dr. Marcos Britto da Silva - Ortopedia, Traumatologia e Medicina Esportiva: 07/01/2010 - 08/01/2010

Tendinite, tendinopatia e tendinose

A tendinite, a tendinopatia e a tendinose são três termos que estão do dia a dia do consultório ortopédico e do especialista em medicina esportiva. 

O que é a tendinite?
O nome  tendinite significa inflamação do tendão,  na verdade o que ocorre na maioria dos casos é uma inflamação ao redor do tendão. Chamados essa inflamação de tenossinovite  pois ela provoca uma inflamação na bainha do tendão, A tendinite é provocada por uma doença, pelo uso excessivo do tendão ou ainda por posição inadequada ao realizar os movimentos. Na inflamação aguda, nos exames de imagem, algumas vezes vemos edema dentro do tendão.

O que é tendinopatia ?
A tendinopatia significa doença do tendão. O tendão doente surge quando o paciente permanece com uma inflamação crónica na região durante muito tempo. O quadro inicial de dor ou de desconforto no tendão, com o passar do tempo, provoca doença na estrutura do tendão que fica mais fraco e sujeito a uma ruptura com pequeno esforço. No quadro inicial de dor no tendão dizemos que o paciente está com tendinite essa inflamação em geral está ao redor do tendão( tenossinovite) porém, com o passar do tempo todo o tendão fica doente e surge a tendinopatia.  

O que é tendinose?
A tendinose é e certa forma igual a tendinopatia, o termo é usado na descrição dos exames de imagem principalmente da ressonância magnética das articulações. Poderíamos definir tendinose como o aspecto imaginológico da tendinopatia. Quando o radiologista descreve um tendão como tendo tendinose ele quer dizer que esse tendão apresenta características estruturais diferente do tendão sadio. Na ressonância do ombro a tendinose do supraespinal (supraespinhoso) significa que o tendão apresenta-se espessado com áreas de edema e eventualmente pequenas rupturas intra-substanciais, resumidamente o tendão está doente. essa doença do tendão provavelmente foi provocada por uma doença crónica na região.
Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Traumatologista e Médico do Esporte
Botafago, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
atualizado em 16/07/2014

Tratamento das Fraturas


No artigo anterior falamos um pouco sobre a consolidação das Fraturas nesse Post vamos falar como deve ser o tratamento das fraturas.

Quando o osso quebra inicia-se o processo de consolidação óssea. Quando mais jovem o indivíduo mais fácil para obtermos a consolidação. Uma fratura de clavícula num recém nato cola em 15 dias ao passo que no adulto pode demorar mais de 2 meses. Além da idade outro fator fundamental é o suprimento sanguíneo do osso: quanto maior a inserção de partes moles no osso maior o suprimento sanguíneo. Exemplo a tíbia e a clavícula apresentam grandes áreas recobertas somente pela pele e proporcionalmente tem menos inserção de partes moles, que os ossos do antebraço ( rádio e ulna) e do fémur por exemplo. Outro fator fundamental é a nutrição, pacientes desnutridos tem dificuldade de cicatrização, essa deficiência também repercute na consolidação óssea. 

Como é feito o tratamento das fraturas?
O tratamento das fraturas objetiva promover a consolidação óssea, recuperar a anatomia da região sempre que possível e fundamentalmente recuperar a função do membro afetado pela fratura. Podemos dividir as fraturas de acordo com a região do osso que é acometida. Fraturas no meio do osso são chamadas de fraturas diafisárias, as fraturas perto da articulação são chamadas de fraturas metafisárias e as fraturas que acometem a cartilagem são chamadas de fraturas articulares.
Todas as fraturas são potencialmente graves pois sem tratamento adequado podem levar a deformidade e a limitação funcional, porém, as fraturas articulares são potencialmente mais graves pois requerem redução anatómica dos fragmentos para evitar uma artrose secundária ao trauma.

Quando está indicada  colocação de platina para tratar a fratura?
O nome platina não é usada pelo ortopedista, quando o paciente se refere a platina ele que dizer placa e parafusos. As placas e parafusos assim podo todos os demais instrumentos ortopédicos são confeccionados com aço inoxidável especial que brilha como o metal Platina por isso a confusão. 
As placas e parafusos são usados para tratar todos os tipos de fraturas, sua indicação está relacionada ao tipo de fratura e a experiência do cirurgião.

Quando são usadas hastes intramedulares para tratar fraturas?
As hastes intramedulares são tutores internos do osso e em geral usamos as hastes intramedulares nas fraturas diafisárias dos membros inferiores, ao passo que preferimos as placas para as fraturas dos membros superiores. Isso não é uma regra absoluta, fraturas metafisárias e articulares dos membros inferiores podem, algumas vezes, ser melhor tratadas com placas e parafusos.

As placas e hastes de titânio são melhores que os implantes ortopedicos de aço inoxidável?
Em teoria o titânio apresenta menor rejeição pelo organismo, porém isso não tem afetado as taxas de rejeição aos implantes ortopédicos que continuam numa faixa de 0,5 a 2%.
Toda vez que implantamos alguma coisa no organismo esse pode reagir e rejeitar esse implante. Na escolha do implante ortopédico levamos em consideração os materiais e o acabamento. 
Podemos fazer um comparação com um automóvel. Ao comprar um automóvel zero quilometro estamos em geral comprando um bom produto. Podemos comprar um carro 1000 CC, sem nenhum acessório, um utilitário com tração 4x4, um carro médio com alguns opcionais ou um carro de luxo. Em todos os casos você pode pegar seu carro e dirigir até Manaus. Dependendo da condição da estrada talvez você só consiga chegar com um utilitário 4x4. Ou seja cada fratura requer um material especifico, nem todos os materiais são adequados para todas as fraturas, muitas vezes os materiais mais baratos não são a melhor opção.

Como é feito o tratamento das fraturas de coluna?
As fraturas de coluna são muito comuns nos pacientes idosos devido a osteoporose, tratamos muitas dessas fraturas com o uso de coletes, porém, algumas fraturas necessitam de tratamento mais agressivo e realizamos uma vertebroplastia que é uma injeção percutânea de cimento ortopédico dentro da vértebra. Pacientes jovens com fratura de coluna que apresentam instabilidade óssea e ligamentar podem requerem a instrumentação da coluna que é a cirurgia com a colocação de implantes especiais que fixam as vértebras.

Leia mais: Quanto tempo demora para meu osso colar?

Dr Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
atualizado em 15/07/2014

Edema Ósseo e Contusão óssea

O que é o edema ósseo?
O edema ósseo é o edema que ocorre dentro do osso, ele está associado a um trauma periarticular. Observamos o edema ósseo na contusão óssea, nas fraturas e nas lesões ligamentares intra ou periarticulares.
O que é uma contusão óssea?
R. A contusão óssea é um diagnóstico relativamente recente e surgiu com a maior investigação feita após contusões e lesões nos atletas com o exame de ressonância nuclear magnética.  
Com o aumento do uso da ressonância observamos que alguns pacientes com lesões nos ligamentos articulares muitas vezes apresentavam sinais de edema intraósseo, esse edema é causado pela ruptura de algumas trabéculas ósseas. 
Essa ruptura de trabéculas é uma microfratura?
Sim, a região metafisária ( região próxima as articulações nos ossos longos como o fêmur e a tíbia) tem um grande quantidade de trabeculado ósseo. Rompendo somente algumas trabéculas o osso não perde a forma e não mostra uma fratura na radiografia simples. Essa é uma causa frequente de dor crônica periarticular pós contusão. Essas lesões ocorrem em atletas e não atletas. 
Em geral o tratamento consiste em evitar a carga sobre o membro machucado. O contusão óssea em geral não apresenta traço de fratura mesmo após algumas semanas, porém, em alguns casos mais graves, quando o paciente não faz repouso e pisa sobre o membro fraturado o osso da região metafisária pode colabar ( afundar ) deixando uma depressão dentro da articulação e levar a uma artrose secundária 
Fratura oculta é o mesmo que fratura de stress?
R. A fratura de stress é um tipo de fratura oculta. A fratura de stress é causada por microtraumas repetidos.
Essas fraturas são muito comuns nos membros inferiores de atletas corredores, principalmente na tíbia e nos metatarsos, porém, pode ocorrer em outros ossos. O diagnóstico precoce também pode ser feito com a ressonância que mostra uma área de " edema " ósseo. A fratura oculta em geral ocorre após um trauma agudo e a fratura de stress ocorre após um repetição de microtraumas. A fratura de stress pode ocorrer por exemplo após uma caminhada de várias horas, ou em pessoas que aumentaram de peso e estão caminhando ou  correndo para perder peso. Isso ocorre porque o esqueleto ainda não está forte o suficiente para aguentar aquela carga. 
O que ocorreu com o Elano na Copa do Mundo?
O diagnostico foi de edema ósseo no Talus (fornecido pelo Médico do Esporte que acompanhava a seleção) essa lesão provavelmente ocorreu no momento da falta criminosa que o jogador sofreu. Houve provavelmente o impacto do tálus contra a tíbia num movimento semelhante ou do entorse, porém, não houve fratura pois o pé estava no ar. Caso o pé estivesse apoiado no chão ele provavelmente teria uma fratura grave do Tornozelo ou na perna.

Os edema ósseos necessitam de tratamento cirúrgico?

Os casos devem ser avaliados individualmente, a contusão óssea pode estar associada a lesões ligamentares que requeiram reconstrução e esse edema pode estar relacionada a um afundamento da articulação que pode necessitar de uma elevação , e nesse caso seria necessário o tratamento cirúrgico. Isso é determinado avaliando as imagens da ressonância.


Quais perguntas devemos fazer quando estamos diante de um quadro de edema ósseo na ressonância que não melhora durante meses?

Procure a causa básica do edema ósseo quando esse, a princípio, não estiver relacionado a um trauma agudo. Corrigindo a origem do problema resolvemos o problema. 
Existe carência nutricional? 
Carência vitamina? 
Desequilíbrio hormonal? 
Osteomalacia? 
Sobrepeso? 
Desequilíbrio alimentar? 
Não toma leite e derivados? 
Não come carne? 
Não como verduras e legumes? 

Somos o que comemos. teremos ossos fortes com uma boa alimentação e exerciçios físicos regulares

Dr Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Atualizado em 15/03/2015

Cimento Ortopédico

O que é o cimento ortopedico?
O cimento ortopédico é o Polimetilmetacrilato (PMMA)

Quando se iniciou o uso do cimento ortopédico?O cimento ortopédico tem sido utilizado em ortopedia desde a década de 1940. Apesar da popularidade do desenvolvimento e de novos biomateriais, o PMMA continua popular. Embora na sua base os componentes permanecem os mesmos, pequenas mudanças criam variações em suas propriedades.

Quais os usos do cimento ortopédico?
O PMMA pode servir como um espaçador, como um veículo de entrega de antibióticos e também pode ser colocado para eliminar o espaço morto. O cimento ortopédico é usado na cirurgia do quadril, na cirurgia da coluna vertebral (artroplastia vertebral, a vertebroplastia e cifoplastia), ombro, cotovelo, Cirurgia do trauma, etc. Ele é o principal componente para fixar as próteses dentro dos ossos.

Como surgiu o uso do cimento ósseo na artroplastia do quadril?
Otto Röhm é creditado como o cientista que desenvolveu o polimetilmetacrilato (PMMA) em 1901. O PMMA foi refinado pela empresa Kulzer e Degussa em 1943. A evolução do polimetilmetacrilato levou à introdução de uma propriedade que permitia o seu endurecimento a temperatura ambiente e isso despertou o interesse do seu uso na ortopedia. Na década de 1940 com o desenvolvimento da protese femoral por Jean e Judet foi introduzido o seu uso para cimentar a protese no canal femural.

Sir John Charnley, na decada de 1950, desenvolveu um implante femural que é usado até os dias de hoje. Ele é o responsável pela popularização do polimetilmetacrilato em ortopedia. Sua prótese usa um componente acetabular e um componente femural cimentados com polimetilmetacrilato (prótese total do quadril).

Qual a Composição do cimento ortopédico?PMMA é composta de polímero em pó e um monómero líquido, muitas vezes fornecido na proporção de 2:1. O líquido é incolor com odor característico e é embalado em ampolas.
Os componentes líquidos permanecem relativamente constante entre os cimentos disponíveis no mercado. O Metilmetacrilato compreende 97% a 99% da parte líquida. N, N-dimetil-p-toluidina age como um acelerador ( catalizador) e é cerca de 0,4% a 2,8% do peso liquido. Traços de hidroquinona (15-75 ppm) são usados para estabilizar esse liquido monômero, impedindo polimerização prematura.
O pó é mais variável na composição entre marcas, o que contribui para as diferenças nas propriedades. Microesferas de PMMA ou copolímero contribuiem para 83% a 99% do pó.
Os demais componentes incluem um radiopacificador ( para deixar o cimento visível na radiografia) , pode ser usado sulfato de bário (BaSO4) ou dióxido de zircónio (8% a 15%), alguns cimentos usam o peróxido de benzoíla (0,75% para 2,6%) como um iniciador,. Outros aditivos para o pó podem incluir antibióticos ou corantes.

Quais outras usos do cimento ósseo em ortopedia?
O cimento ósseo é usado na cirurgia da coluna para a realização de vertebroplastia e cifoplastia, usamos também o cimento ósseo para preenchimento de cavidades na cirurgia oncológica e em alguns casos na traumatologia quando colocamos placas em pacientes com ossos muito osteoporóticos, para melhorar a fixação dos parafusos

Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Traumatologia, Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ
atualizado em 07/08/2012

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