Dr. Marcos Britto da Silva - Ortopedia, Traumatologia e Medicina Esportiva: 07/01/2011 - 08/01/2011

Bursite do Ombro

A bursite é uma inflamação aguda da bursa que e uma pequena bolsa, com uma fina camada de líquido que está presente em várias articulações, essas pequenas bolsas tem a função de diminuir  o atrito entre dois ossos ou um osso e uma outra estrutura. A bursite do ombro é uma das mais frequentes, porém também vemos bursites no cotovelo, Joelhos, Quadril e tornozelo e calcanhar.

Quais as causas da bursite do ombro?
A bursite do ombro em geral ocorre por reação a uma inflamação de uma estrutura próxima. exemplo: as tendinites do manguito rotador podem produzir uma bursite reacional. O atrito constando entre o manguito rotador e o acrômio também podem produzir bursite subdeltóidea.

As bursites doem muito?
Sim a bursa inflamada é muito dolorosa, porém um dos quadros mais intensos é sem dúvida a bursite quimica que ocorre na fase reabsortiva da tendinite calcárea.

O que é a tendinite calcárea?
A tendinopatia calcária do ombro é uma patologia comum, caracterizada pela formação de depósitos de cálcio dentro dos tendões sadios do manguito rotador. É uma doença auto limitada e o curso natural é a absorção dos depósitos de cálcio e a cicatrização do tendão.
 
Qual a diferença entre tendinite calcárea e as calcificações degenerativas?
Importante diferenciar a tendinite calcária da calcificação degenerativa que ocorre nas inserções tendinosas de todo o organismo. As principais diferenças são: na tendinite calcária do ombro as calcificações ficam a um ou dois centímetros da inserção tendinosa e ocorrem em tendões sadios, geralmente com a forma arredondada. Na calcificação degenerativa os depósitos ocorrem junto a inserção dos tendões e ligamentos e tem a forma triangular e espiculada.

Como evolui a tendinite calcárea?

Fase Pré Calcificação

Uhthoff acredita que a patologia se inicia com a metaplasia da fibrocartilagem do tecido tendinoso. As áreas de fibrocartilagem são geralmente avasculares. A substância intercelular é metacromática e existe uma proeminência de células circundadas por halos ricos em glicosaminoglicana. Archer et al, usando anticorpos monoclonais, não encontraram a presença de colágeno tipo II. Entretanto, Uhthoff, também utilizando pesquisa com anticorpos monoclonais, identificou a presença de colágeno tipo II nesta fase.Fase de calcificação



1. Fase formativa.

Na microscopia os depósitos de cálcio aparecem em vários focos, separados por tecido fibrocartilaginoso e fibrocartilagem. A fibrocartilagem consiste de células semelhantes a condrócitos, como descrito por Archer, com uma matriz que mostra vários graus de metacromia. A aparência dos condrócitos na substância dos tendões foi documentada por vários autores desde 1912.


A ultra-estrutura desses condrócitos mostra frequentemente que as células contêm pouco citoplasma com um retículo endoplasmático bem desenvolvido, mitocôndrias em quantidade moderada, um ou mais vacúolos e numerosos processos celulares. A margem do núcleo é bocelada. As células são circundadas com uma banda de matriz pericelular com ou sem um intervalo.

O primeiro sinal de depósitos de cálcio é a presença de material granular com coloração positiva ao método de von Kossa. Esses pequenos grânulos se agrupam para formar torrões. A microscopia eletrônica de alta resolução revelou que os cristais de cálcio são mais largos que os encontrados nos cristais clássicos de hidroxiapatita e têm uma configuração diferente.


2.Fase de descanso

Durante a fase de formação a inflamação e a presença de vasos sanguíneos não são comuns, observamos outras focos rodeados por tecido tendinoso sem evidência de inflamação, essas áreas parecem corresponder a fase de repouso.


3.Fase de reabsorção

Nessa fase observamos outros focos com células mesenquimais e epiteliais leucócitos, linfócitos e ocasionalmente células gigantes. A presença dessas células é indicativa de atividade de reabsorção. A significativa reação celular ao redor dos depósitos de cálcio caracteriza o chamado granuloma cálcico, que constitui a lesão característica da tendinopatia calcária.

O aspecto granulomatoso é expressado pela presença de células gigantes multinucleadas. A reação tecidual é frequentemente acompanhada por capilares e canais vasculares finos ao redor dos depósitos de cálcio. Materiais fagocitados dentro dos macrófagos e células gigantes multinucleadas podem ser facilmente identificados.

O exame da ultra-estrutura dessas células mostra partículas de cristais eletrodensos em vacúolos citoplasmáticos, com aparência diferente dos depósitos extracelulares. Alguns acúmulos intracelulares têm forma arredondada e são conhecidos como microesferócitos ou psamonas (em forma de areia).
Nessa fase os cristais podem migrar para a bursa e fazer uma bursite química

4.Fase pós Calcificação.

Pequenas áreas representando o processo de reparação podem ser encontradas na vizinhança das calcificações, mostrando uma considerável variação na aparência. Tecido de granulação com

fibroblastos jovens e capilares recém-formados contrastam com a cicatriz bem formada, ricamente vascular, e fibroblastos maduros que estão em processo de alinhamento com o longo eixo das fibras tendinosas.
A bursa subacromial raramente é o local primário da reação. Entretanto, devido ao volume da calcificação, o depósito de cálcio pode provocar impacto subacromial e reação (inflamação) bursal.
 
Como é o tratamento da Bursite?
O objetivo é retirar o paciente da crise de dor, a seguir tratamos a causa básica. A maioria dos pacientes são tratados não operatoriamente porém alguns precisam de tratamento cirúrgico

Dr. Marcos Britto da Silva

Ortopedia, Traumatologia, Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
atualizado em 19/07/2011

Sindrome da Cauda Equina

Síndrome da Cauda Eqüina
Causas
Sintomas
Diagnóstico
Tratamento
A sindrome da cauda eqüina é uma compressão aguda que afeta o conjunto de raízes nervosas (cauda eqüina) na região lombar da medula espinhal e é uma emergência cirúrgica ortopédica.
As raízes nervosas da região lombar enviam e receber mensagens para os órgãos pélvicos e também para os membros inferiores. A Síndrome da cauda eqüina ocorre quando essas raízes nervosas são comprimidas e os nervos ficam paralisados, cortando a sensação e o movimento. nos membros inferiores e orgãos pélvicos. As Raízes nervosas que controlam a função da bexiga e do intestino são especialmente vulneráveis ​​a danos.

Se os pacientes com síndrome da cauda eqüina não recebem tratamento rápido para aliviar a pressão, pode resultar em paralisia permanente, bexiga neurogénica e / ou diminuição do controle intestinal, além de perda da sensação sexual.. Mesmo com tratamento imediato, alguns pacientes podem não recuperar as funções completamente.
Causas
A Síndrome da cauda eqüina pode ser causada por uma hérnia discal, tumor, infecção, fratura, ou estreitamento do canal espinhal. Também pode acontecer por causa de um impacto violento, como num acidente de carro, uma queda de altura significativa, ou um ferimento penetrante, como por uma arma de fogo ou lesão por arma branca. As crianças podem nascer com anomalias que causam síndrome da cauda eqüina. 

Sintomas
Embora o tratamento precoce seja necessário para evitar problemas permanentes, a síndrome da cauda eqüina pode ser difícil de diagnosticar. Os sintomas variam em intensidade e podem evoluir lentamente ao longo do tempo.

Consulte o seu médico ortopedista  imediatamente se os seguintes sintomas surgirem:
* Disfunção na Bexiga  ou intestino, retenção ou incapacidade de reter as fezes e a urina.
* Hipoestesia ou anestesia em sela ( sensação de dormência ou falta de sensibilidade ao redor do anus e na região onde estaríamos sentados numa cela de cavalo)
* Problemas graves ou progressivos nos membros inferiores, incluindo perda ou alteração da sensibilidade nas pernas, sobre as nádegas, a parte interna das coxas e nadegas (área onde o calaleiro senta na sela),  pés ou calcanhares.
* Dor, dormência ou fraqueza que se estende para uma ou ambas as pernas que podem fazer com que você tropeçe ou ter dificuldade em se levantar de uma cadeira.  
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Diagnóstico por Imagem 
Radiografias, ressonância magnética, tomografia computadorizada podem ajudar a avaliar o problema.
Tratamento 
O paciente com sindrome da lauda equina  pode precisar de cirurgia de urgência para remover o material que está pressionando os nervos. A cirurgia pode evitar que a pressão sobre os nervos chegue ao ponto em que o dano é irreversível. Com um tratamento adequado e rápido pode ocorrer recuperação da função dos nervos e o paciente pode retornar a caminhar e controlar os esfínteres.
Vivendo com Síndrome de Cauda Eqüina
A cirurgia não irá reparar danos permanentes do nervo. Se isso ocorrer como resultado de síndrome da cauda eqüina, o paciente pode aprender como melhorar sua qualidade de vida.

Algumas sugestões:

* Além de pessoal médico, você pode querer obter ajuda de um terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, assistente social, especialista em continência urinária ou terapeuta sexual.
* Envolva sua família em seus cuidados.
* Para saber tudo que puder sobre o controle da doença, você pode associar-se a um grupo de apoio a pacientes com sindrome da cauda eqüina.

Bexiga  e função intestinal

Alguns funções da bexiga e da função intestinal são automáticos, mas as partes sob o controle voluntário podem ser perdidos após a síndrome da cauda eqüina. Isto significa que o paciente pode não saber quando irá precisar urinar ou defecar, e / ou  pode não ser capaz de eliminar fezes normalmente.
Algumas recomendações gerais para a gestão da bexiga e disfunção intestinal:
* Esvaziar completamente a bexiga com um cateter de 3 a 4 vezes por dia. Beba muitos líquidos e práticas de higiene pessoal regular para prevenir a infecção do trato urinário.
* Verificar a presença de fezes no reto regularmente e limpar os intestinos com as mãos enluvadas. Você pode querer usar supositórios de glicerina ou enemas para ajudar a esvaziar o intestino. Use almofadas de proteção e calças para evitar vazamentos.

Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedia, Traumatologia, Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
atualizado em 20/05/2014

Ruptura do Tendão do Biceps Braquial

Lesão do Tendão do bíceps braquial no ombro ( Porção Longa do Bíceps PLB)
Anatomia
Descrição
Causas da ruptura da Porção longa do bíceps
Sintomas da Ruptura do tendão do bíceps
Exame ortopédico
Tratamento da ruptura da Porção Longa do Bíceps Braquial



Sinal do Popaie
Ruptura do Bíceps
O músculo bíceps está na frente do braço. Ele ajuda a dobrar o cotovelo e a girar o braço. Também ajuda a manter ombro estável. Tendões prendem os músculos aos ossos. O Tendão do bíceps anexa o músculo bíceps aos ossos no ombro e no cotovelo. Na ruptura o tendão do bíceps no ombro, o paciente perde um pouco da força no braço e pode ser incapaz de girar o antebraço com força e colocar a palma da mão para cima. Muitas pessoas podem conviver com tendão do bíceps rompido e apenas precisam de tratamentos simples para aliviar os sintomas. Outros necessitam de cirurgia para reparar o tendão rompido.
 
Anatomia
Existem dois tendões do bíceps na articulação do ombro uma porção curta ( cabeça curta do bíceps braquial) e porção longa ( cabeça longa do bíceps braquial).
A cabeça longa se insere no topo do soquete do ombro (glenóide). A cabeça curta se insere numa protuberancia óssea anterior da escápula chamado o processo coracóide.

Descrição
Lesões do tendão do bíceps podem ser parciais ou completas.

Em muitos casos, os tendões lesados começam por desgastar muito tempo antes e o paciente apresenta uma história prévia de dor no ombro, nos halterofilistas encontramos também o uso de anabolixantes. Como a progressão do dano, o tendão pode romper completamente, às vezes ao levantar um objeto pesado. A cabeça longa do tendão do bíceps é mais provável de ser lesado. Isso é porque ele é vulnerável à medida que viaja através da articulação do ombro ao seu ponto de fixação na glenoide. Felizmente, o bíceps tem dois pontos de fixação no ombro. A cabeça curta do bíceps raramente é lesada. Devido a esta segunda fixação, muitas pessoas ainda podem usar seus bíceps, mesmo depois de uma ruptura completa da cabeça longa. Quando o paciente rompe o tendão do bíceps,  também pode ocorrer lesão em outras partes do ombro, como os tendões do manguito rotador.

Causas da ruptura da Porção longa do bíceps
Quedas: Ao cair com um braço estendido ou levantar algo muito pesado, pode romper o  tendão do bíceps.
Uso excessivo: Muitas lesões são o resultado de um desgaste do tendão, essa degeneração ocorre lentamente ao longo do tempo. Isto, naturalmente, ocorre à medida que envelhecemos. Isso pode ser agravado pelo uso excessivo e movimentos repetitivos do ombro
O uso excessivo pode causar uma série de problemas no ombro, incluindo tendinite, síndrome do impacto e lesões do manguito rotador.

Fatores de Risco  
O risco de uma lesão do tendão aumenta com:  
Idade. Pessoas mais velhas têm mais anos de uso e desgaste em seus tendões que os jovens.
Atividades pesadas com os braços elevados. Excesso de carga durante musculação é um excelente exemplo deste risco. Alguns empregos exigem içamento pesado e podem provocar desgaste excessivo sobre os tendões.
 
Uso excessivo do ombro. Esportes com sobrecarga repetitiva - como a natação ou tênis - podem causar desgaste mais tendão e desgaste.
Fumar. Uso de nicotina pode afetar a nutrição no tendão.

Medicamentos corticosteróides. Uso crónico de Corticosteróides tem sido associada a fraqueza de
músculos e tendões.
 
Sintomas
Dor súbita e aguda no braço

Às vezes um pop audível 
Cólicas do músculo bíceps com o uso intenso do braço
Manchas negras ( equimoses) a partir do meio do braço em direção ao cotovelo
Dor ou sensibilidade no ombro e no cotovelo.
Fraqueza no ombro e no cotovelo
Dificuldades em virar a palma da mão para cima e para baixo
deformidade com um abaulamento anterior imediatamente acima do cotovelo (Sinal do Popeye)

Exame Ortopédico
História clínica e exame físico
Depois de discutir os sintomas e história médica, o ortopediststa irá examinar o ombro. O diagnóstico muitas vezes é óbvio para rupturas completas por causa da deformidade do músculo do braço (" Braço do Popeye").

Uma lesão tendão do bíceps se torna mais evidente através da contração do músculo ("Muscle Popeye").
Rupturas parciais são menos óbvias. Para diagnosticar uma ruptura parcial, o médico pode pedir-lhe para dobrar o braço e apertar o músculo bíceps. O bíceps também pode rasgar próximo ao cotovelo, embora isso seja menos comum. Uma lesão próxima ao cotovelo irá causar um "gap" na frente do cotovelo.

Exames de imagem

Radiografias. Embora as radiografias não consigam mostrar tecidos moles como o tendão do bíceps, eles podem ser úteis para descartar outros problemas que podem causar dor no ombro e cotovelo.


A ressonância magnética (RM). Esses exames criam melhores imagens dos tecidos moles e podem mostrar rupturas parciais e completas. 
 

Tratamento da Ruptura da Porção Longa do Bíceps
   
Tratamento não cirúrgico
Para muitas pessoas, a dor da ruptura do tendão da cabeça longa do bíceps resolve com o tempo. A fraqueza do braço é leve e a deformidade braço pode não incomodar alguns pacientes, principalmente os mais idosos e menos ativos.
Além disso, nos casos onde não há ruptura do manguito rotador o tratamento não cirúrgico é uma opção razoável. 
O tratamento inclui:
Gelo. Aplicar compressas frias por 20 minutos, várias vezes ao dia para diminuir o inchaço. Não aplique gelo diretamente sobre a pele.
 
Antiinflamatórios. Drogas antinflamatórias reduzem a dor e o inchaço ( edema) 
Descanso. Evitar atividades pesadas de elevação e sobrecarga para aliviar a dor e limitar o inchaço. muitas vezes recomendamos algum tipo de tipoia.  
Fisioterapia. Exercícios de flexibilidade e fortalecimento irão restaurar o movimento e fortalecer o ombro.

Pos op do paciente acima
Tratamento Cirúrgico
O Tratamento cirúrgico para uma ruptura do tendão da cabeça longa do bíceps é indicado somente em alguns casos. Entretanto, alguns pacientes que necessitam de recuperação completa da força, como atletas ou trabalhadores braçais, podem exigir cirurgia. A cirurgia também pode ser a opção ideal para aqueles com rupturas parciais cujos sintomas não são aliviados com tratamento não cirúrgico.


Procedimento. Vários novos procedimentos têm sido desenvolvidos que o reparo do tendão com incisões mínimas. O objetivo da cirurgia é a re-ancoragem do tendão lesado de volta para o osso. O ortopedista irá discutir com você as opções que são melhores para seu caso específico.


Complicações. Complicações com esta cirurgia são raras. Re-ruptura do tendão reparado é incomum.


Reabilitação. Após a cirurgia, o ombro pode ser imobilizada temporariamente com uma tipoia.

Certifique-se de seguir o plano de tratamento do seu ortopedista. Embora seja um processo lento, o seu compromisso com a terapia física é o fator mais importante no retorno a todas as atividades que você gosta.
Resultado cirúrgico. A Cirurgia bem sucedida pode corrigir a deformidade do músculo, retornar a força e a função do braço. 
Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedia, Traumatologia, Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
atualizado em 20/07/2013

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