Meralgia Parestética

A meralgia parestética provoca dor e queimação na coxa e é conhecida com Síndrome de Bernhardt-Roth.

A meralgia parestética é uma compressão do nervo ciático?
Não, a meralgia parestética é uma compressão do nervo cutâneo lateral da coxa, na sua passagem no ligamento inguinal. Ela se caracteriza como uma mono neuropatia compressiva. Diferentemente das hernias de disco e da compressão do próprio nervo ciático na síndrome do piriforme os sintomas são isoladamente sensitivos e não ocorrem alterações de reflexos e nem de força motora.

Quais as características da meralgia parestética?
É mais comum nos homens e se caracteriza freqüentemente por dor em queimação na face ântero-lateral da coxa. Alguns pacientes também tem sensação de dormência, anestesia, perda se sensibilidade ou picadas na região antero lateral da coxa. Existem também relatos de queimação, frio, choque, dolorimento na musculatura da coxa, alteração na sensibilidade da pele, franca anestesia ou queda dos pêlos na porção ântero-lateral da coxa. Os sintomas podem ser leves e fugazes, desaparecendo espontaneamente ou intensos e permanecer por anos.

Como é feito o diagnóstico da Meralgia parestética?
O diagnóstico e clínico, a EletroNeuroMiografia pode ser de pouca valia. Em alguns casos a infiltração com anestésicos na região da compressão ajudam no diagnóstico. 

Quais as causas da Meralgia parestética?
A causa é uma compressão no nervo cutâneo lateral da coxa, não é uma patologia frequente porém vejo algumas vezes por ano. A maioria dos pacientes apresentava uma característica em comum: usavam roupa apertada na cintura ( principalmente mulheres) ou cintos apertados, (principalmente homens) pessoas que emagreceram e ainda não compraram calças novas e usam o cinto para manter a roupa justa na cintura.

Qual o tratamento da meralgia parestética?
O ponto fundamental é retirar o fator causal, no caso das roupas e cintos apertados trocar o quarda roupa ( as mulheres adoram essa sugestão) 

Pode ocorrer meralgia parestética após cirurgia?
Sim, principalmente após a retirada de enxerto óssea da crista ilíaca. O nervo cutâneo lateral da coxa tem muitas variações anatômicas e em alguns casos durante a retirada do enxerto o nervo é comprometido.

O tratamento da meralgia parestético é somente dos sintomas?
Não em alguns casos pode ser necessário tratamento invasivo com infiltrações ou até mesmo cirurgia para descompressão do nervo.

Como surgiu esse nome meralgia?
Wladimir Karlovich Roth, médico russo, cunhou o termo "meralgia" das palavras gregas meros para coxa e algos para dor. A síndrome ainda tem o nome de Martin Bernhardt anatomista alemão.


Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Traumatologia e Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Publicado em 24/04/2015

Comentários

  1. . Meu nome e Théo, fraturei a tibia e o fêmur em um acidente de moto no dia 22.02.15. Fiz esforço andando de muleta e o meu médico mandou eu voltar ao hospital dia 10 de junho. E possível ele retirar os fixadores nessa data? não sinto nenhuma dor. agradeço desde já, Parabéns pela materia

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    1. O momento da retirada de um fixador externo é quando o osso colou, ou quando será trocado por outro método de fixação, como o intervalo entre a colocação e junho tem várias semanas o médico provavelmente aguardará a consolidação da fratura, que será determinada por exames de imagens

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  2. Meu nome é Alexandre e tenho todos os sintomas de COMPRESSÃO DO NERVO CUTÂNEO FEMORAL LATERAL (MERALGIA PARESTÉSICA) queimação, dormência, picadas, choques e dor na coxa direita. Gostaria de fazer o tratamento com um bom especialista.. podia me ajudar? Meu e-mail. alexandrecostaxbc@gmail.com

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  3. Ortopedista também trata de meralgia parestética ou só neurologista

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    1. As causas muitas vezes tem origem ortopédica e são mais fáceis para os ortopedistas tratarem.

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MARCOS BRITTO DA SILVA
Brazil
- Médico Ortopedista Especialista em Traumatologia e Medicina Esportiva - Chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Pró-Cardíaco, - Professor Convidado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, - Membro Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte | SBMEE, Médico do HUCFF-UFRJ, - International Affiliate Member of the AAOS - American Academy of Orthopaedic Surgeons - Membro da Câmara Técnica de Ortopedia e Traumatologia do CREMERJ, - Especialista em Cirurgia do Membro Superior pela Clinique Juvenet - Paris, - Professor da pós Graduação em Medicina do Instituto Carlos Chagas, - Professor Coordenador da Liga de Ortopedia e Medicina Esportiva dos alunos de Medicina da UFRJ, - Membro Titular da SBOT - ( Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), - Membro Titular da SBTO - ( Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico), - Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da UFRJ - Internacional Member AO ALUMNI Association, - Internacional Member: The Fédération Internationale de Médecine du Sport,(FIMS)/International Federation of Sports Medicine (http://www.fims.org),