Dr. Marcos Britto da Silva - Ortopedia, Traumatologia e Medicina Esportiva: 03/01/2011 - 04/01/2011

Fratura Diafisária de Clavícula

Introdução
A clavícula funciona como uma estrutura óssea que mantêm o comprimento do ombro, proporcionando estabilidade e um ponto de apoio para o movimento entre o membro superior e o tronco.
As fraturas da clavícula são lesões frequentes e constituem aproximadamente 4% das fraturas no adulto e 35% das fraturas que ocorrem na cintura escapular. 3 ( B )  A incidência na população em geral é de cerca de 86 casos em homens e 44 casos em mulheres para cada 100.000 habitantes 3 ( B ). Aproximadamente 75%  das fraturas da clavícula acometem o terço médio da diáfise 4. ( B )
Para determinar o melhor tratamento e a evolução das fraturas do terço médio da diáfise da clavícula no adulto devemos incluir uma boa história clínica, um exame físico detalhado e o uso de scores de avaliação funcional com exemplo DASH  ( Disabilities of the arm Shoulder and Hand ) e Constant Shoulder Score (CSS). Durante esse estudo devemos fazer uma avaliação radiológica.
As técnicas operatórias, até a década de 1970, empregadas para tratamento das fraturas da clavícula eram geralmente pinos intramedulares, associados a amarração com fios de aço ao redor do osso. Esses tratamentos eram associados a uma grande desvitalização das partes moles e, consequentemente, maus resultados. ( D )  Na década de 1960 Neer e Rowe relataram o resultados do tratamento não operatório das fraturas de 2235 pacientes e 566 pacientes respectivamente. Esses autores encontraram somente 7 casos de pseudartrose nesse grupo de pacientes tratados não operatoriamente. 11 (A)
As fraturas do terço médio da clavícula são tidas como fraturas de tratamento emimentemente não operatório com restauração completa da função na grande maioria dos casos, porém, esse é um conceito amplamente difundido que deve ser questionado a luz dos trabalhos científicos publicados nos últimos anos. 1  ( A )  6 ( A )  11 (A)

  1. Quais as indicações para tratamento cirúrgico da diáfise da clavícula?
Resposta:  Classicamente, as fraturas diafisárias do terço médio da clavícula no adulto apresentam indicações cirúrgicas absolutas e relativas. As indicações absolutas são: fraturas expostas, fraturas associadas a lesões de pele na região da clavícula e fraturas associadas a lesão vascular e/ou neurológica na região que requeiram reparo.
As indicações relativas são: encurtamento maior que 2 cm, grande afastamento dos fragmentos, fraturas bilaterais, cominutivas, fraturas em pacientes mais velhos, pacientes internados em unidades de terapia intensiva com lesões torácicas, ombro flutuante e pseudartrose. 9 (D) Essas indicações cirúrgicas estão sendo revistas quando levamos em consideração os resultados funcionais dos trabalhos com maior significância estatística publicados nos últimos anos. 11 (A) 6 ( A )  1 (A)

  1. QUAL DEVE SER O POSICIONAMENTO DAS PLACAS NA FRATURA DIAFISÁRIA DO CLAVÍCULA?
Nas fraturas diafisárias da clavícula que não apresentam cominução ou defeito na cortical inferior, a colocação da placa na face superior, produziu maior estabilidade em comparação com as placas colocadas na cortical anterior, valor de P = 0,008. 14  ( A ) Nas fraturas diafisárias da clavícula que apresentam cominução ou defeito na cortical inferior as placas colocadas na cortical anterior se mostraram mais eficientes que as placas colocadas na cortical superior e produziram maior estabilidade com P = 0.025. 14  ( A )

  1. Como deve ser feito o tratamento não operatório da fratura diafisária do terço médio da clavícula no adulto?
Um aspecto importante do tratamento das fraturas do terço médio da clavícula é certificar-se de que a fratura não apresenta desvio ou é minimamente desviada. Isso pode ser observado realizando uma radiografia com o paciente em pé com o membro superior afetado ao longo do corpo e sob a ação da musculatura e da gravidade. 10 (C). Isso permitirá avaliar parcialmente o desvio do fragmento lateral que sofre uma ação grande da gravidade. 8 porém devido a combinação de deformidades axial, rotacional e longitudinal a tomografia computadorizada poderá avaliar melhor essa deformidade.  18 ( C )
Nas fraturas fechadas com fragmentos não desviados ou pouco desviados o tratamento pode ser com tipóia tipo Velpeau ou uma tipóia por seis semanas e o uso em geral é descontinuado com o desaparecimento da dor no local das fratura. 11 (A) Não há nenhuma evidência clínica que suporte o uso de imobilizadores que sejam capazes de manter a redução das fraturas de clavícula.  19 ( B )

  1. Qual a relação entre o encurtamento da clavícula e os resultados clínicos do tratamento não operatório?
Resposta: A relação entre o encurtamento da clavícula e o resultado clínico final foi avaliada num estudo longitudinal de longo prazo. Aproximadamente um em cada quatro pacientes com fratura diafisária do terço médio da clavícula no adulto tratados não operatoriamente apresentaram resultados insatisfatórios avaliados pelo Constant Score. 10 (A) Os resultados insatisfatórios estavam relacionados ao encurtamento da clavícula. Pacientes do sexo masculino adultos com encurtamento maior que 18 mm e mulheres adultas com o encurtamento maior que 14 mm apresentaram piores resultados. 10  ( A ). Porém esses autores não conseguiram correlacionar o encurtamento inicial da fratura e o encurtamento final. Contrario a esses achados Novak 1 ( A ) não conseguiu correlacionar o encurtamento da clavícula com resultados insatisfatórios.

  1. Quais as principais complicações do tratamento não operatório da fratura diafisária da clavícula?
Resposta: . As complicações mais frequentes incluem pseudartrose e consolidações viciosas com sintomática ou não. 11 (A)  Encurtamento da fratura,  diminuição da função, dor no ombro e no local da fratura e mudança no posicionamento da clavícula. 22 ( B )

  1. Quais as principais complicações do tratamento operatório da fratura diafisária da clavícula?
Resposta: As complicações mais frequentes no tratamento operatório das fraturas diafisárias da clavícula estão relacionadas com o implante colocado para fixar a fratura. 11 (A)  . As complicações encontradas são deiscência da ferida operatória, infecção, pseudartrose e retardo de consolidação, falência do material de síntese  e irritação local devido a superficialidade do implante. 11 (A), Lesões neurológica e/ou vascular. Podem surgir também dor no local da fratura ou da incisão na pele, dor complexa regional e também nas atividades que necessitem o uso das mãos acima do nível dos ombros.  Na comparação com o tratamento pós operatório a incidência de complicações e maus resultados foram inferiores no grupo de pacientes tratados operatoriamente. 11 (A)

  1. Como deve ser avaliada radiologicamente a fratura diafisária do terço médio da clavícula no adulto.
Resposta: A fratura diafisária do terço médio da clavícula no adulto deve ser avaliada com no mínimo duas incidências radiográficas.  Não encontramos consenso na literatura em relação a melhores incidências para a avaliação da fratura diafisária da clavícula. As principais sugestões são: radiografia em Antero-Posterior simples e Antero-Posterior com raio à 45o cefálico, radiografias perpendiculares a primeira Antero-Posterior com raio à 45 graus cefálico e a segunda à 45 graus caudal. 7 ( C ). Alguns autores sugerem o uso da incidência de PosteroAnterior com raio à 15 caudal para minimizar o efeito de ampliação causado pelo afastamento da clavícula do chassi de raios X. 8 ( C ) O encurtamento da clavícula deve ser avaliado com uma radiografia em Posterior Antero com as duas clavículas no mesmo chassi 10 ( C )

  1. Qual o risco de pseudartrose nas fraturas de clavícula tratadas não operatoriamente?
Resposta: A incidência de pseudartrose nas fraturas diafisárias de clavícula cominutivas e com afastamento dos fragmentos ocorreu em 21% dos casos de Robinson, que tratou 868 fraturas de clavícula consecutivas, sendo 581 fraturas diafisárias. 15 (B) Hill e col. Encontraram resultados insatisfatórios nas fraturas diafisárias de clavícula quando havia um encurtamento maior que 2 cm. 16 (C) . Numa recente meta-análise envolvendo 2144 pacientes a taxa de pseudartrose nas fraturas tratadas não operatoriamente foi de 15,1% contra 2,2% nos pacientes tratados com placa, houve uma redução do risco relativo de 86% de pseudartose com o uso de osteossíntese com placa. 17 (A).

  1. Quais os fatores clínicos e radiológicos que determinam a evolução nas fraturas de clavícula?
Resposta: Nowak et al. 2  ( A ) acompanharam prospectivamente 245 pacientes com fratura diafisária clavícula tratados não operatoriamente, maiores que 15 anos de idade, durante 12 anos. Todos os pacientes foram avaliados clínica e radiologicamente com 11 à 12 anos de evolução. Os autores relataram que somente 54% dos pacientes recuperaram completamente a função ao passo que 46% apresentavam algum tipo de seqüela. A pseudartrose ocorreu em 7% dos casos. Determinaram que o fator preditivo mais importante para o surgimento de seqüelas é a falta de contato ósseo entre os fragmentos da fratura, mais velhos ( não informaram a partir de qual idade os pacientes foram considerados mais velhos ) ou com fratura cominutiva que apresentasse um fragmento transverso ( girado 90 graus em relação ao longo eixo da clavícula ). Não houve diferença de resultados em relação ao sexo. Nesse trabalho o encurtamento e a localização da fratura não foram fatores preditivos para  seqüela a não ser deformidade cosmética. 2  ( A )  Os autores concluíram que pacientes com fatores preditivos de aumento de risco para desenvolver seqüelas, tais com pacientes mais velhos  com fraturas cominutivas, sem contato ósseo ou com fragmento transverso devem ser tratados cirurgicamente. 2  ( A )

  1.    Qual o melhor tratamento para as fraturas diafisárias da clavícula em   
         Atletas operatório ou não operatório?
Resposta: o uso de haste intramedular apresentou melhores resultados clínicos com menor incidência de dor entre os pacientes tratados com haste intramedular quando comparados com os pacientes tratados com imobilização tipo oito com p < 0,05%. 12 ( B) A avaliação da força no membro superior 120 dias após a fratura foi superior no grupo tratado com haste intramedular em comparação com o grupo tratado com imobilização tipo oito com P < 0,01%. Os autores concluíram que o tratamento com haste intramedular nas fraturas diafisárias de clavícula é superior para o tratamento em atletas . 12 ( B) Não encontramos na literatura trabalhos avaliando o uso de placas e parafusos em atletas

  1. Qual o melhor meio de fixação de fraturas diafisárias da clavícula em pacientes maiores que 50 anos
Resposta. O resultado clínico dos pacientes tratados com haste intramedular tipo pinos de Knowles e placas é semelhante após 30 meses de acompanhamento clínico.13(B). O tratamento com pinos de Knowles apresentaram menor tempo operatório P<0,001, menor cicatriz cirúrgica P< 0,001, menor tempo de internação p = 0,04 %, menor uso de anagésicos P = 0,02 e menor sintomas provocados pela material de sintese p=0,015 e concluiram que a haste intramedular apresenta resultados superiores a quando comparado a placa.13 (B). O uso de hastes intramedulares em geral requer uma maior curva de aprendizagem e o uso de hastes intramedulares deve ser sempre precedida por um treinamento criterioso.

  1. Qual o melhor tratamento para as fraturas diafisárias da clavícula operatório ou não operatório?
Resposta. Resultados recentes tem mostrado uma alta prevalência de pseudartrose e falhas de consolidação em pacientes com fratura diafisária de clavícula tratados não operatoriamente. 11 ( A )  Esses resultados tem ressaltado a importância de reconsiderar o tratamento operatório da fratura de clavícula. Em 2007 a Associação Canadense de Trauma Ortopédico realizou um trabalho multicêntrico randomizado, duplo cego com 132 pacientes comparando o resultado do tratamento operatório, utilizando uma osteossíntese com placa e parafusos, e o tratamento não operatório usando tipóia. 11 ( A )   O pacientes foram submetidos a avaliação clinica, Constant Score, DASH Score e avaliação radiográfica após um ano de pós operatório. O Constant Score e Dash Score foram superiores no grupo tratado operatoriamente com P=0.001 e P < 0,01 respectivamente. O tempo de consolidação foi de 28,4 semanas no grupo tratado com tipóia e 16,4 semanas no grupo tratado com placa p=0,001. A taxa de pseudartrose foi três vezes maior no grupo tratado não operatoriamente com p= 0,042. 11 ( A )  Ocorreu consolidação viciosa em aproximadamente 20% dos pacientes tratados com tipóia e nenhuma no grupo tratado com fixação com placa. Com um ano de pós operatório os pacientes tratados operatoriamente estavam mais satisfeitos com a aparência do ombro p=0,001 e com o ombro em geral p=0,002 em comparação com o grupo tratado com tipóia. 11 (A) . Esses resultados sugerem fortemente o tratamento cirúrgico das fraturas de clavícula porém devem ser olhados com precaução, lembrando que foram conseguidos em centros médicos de excelência por cirurgiões experientes. A maioria dos ortopedistas no Brasil realizou treinamento em centro que muitas vezes nunca realizaram uma osteossíntese de fratura diafisária de clavícula e portanto são pouco familiarizados com a anatomia local. O tratamento cirúrgico das fraturas diafisárias de clavícula requer cuidados redobrados devido as características anatômicas da região que tem pouca cobertura de partes moles  o que provoca frequentemente a insinuação do material de síntese sob a pele além do cuidado durante a colocação dos parafusos bicorticais pois a broca pode causar lesão nas estruturas vásculo nervosas que apresentam intima relação com essa região da clavícula, sugerimos o uso rotineiro de brocas com sistema de stop que deve ser regulado previamente a broqueamento.
O tratamento não operatório da fratura do terço médio da diáfise da clavícula no adulto deve ser considerada a primeira opção nas fraturas simples com pouco ou sem desvio. O tratamento operatório deve ser considerado nos demais casos quando os cirurgiões estejam familiarizados com a anatomia da região e disponham de equipamentos e materiais adequados para a realização da osteossíntese.

  1. Qual a explicação para resultados clínicos tão dispares entre os resultados da década de, que indicavam que o tratamento não operatório era superior ao tratamento operatório, e os resultados clínicos atuais que sugerem ser o tratamento cirúrgico superior ao não operatório ?
Resposta: podemos citar várias hipóteses para explicar essas diferenças: os restados dos trabalhos publicados na década de 1960 incluíam crianças que possuem capacidade de consolidação e remodelação própria e isso pode ter esses achados podem ter melhorado os resultados artificialmente. 20 (D) Houve uma mudança na avaliação entre dos resultados clínicos nos últimos 40 anos: na década de 1960 os resultados clínicos eram baseados principalmente nos taxas de consolidação radiológica e os escores de avaliação clínica e funcional que avaliavam o grau de satisfação dos pacientes não eram usados rotineiramente. 21 (B) Nas ultimas décadas ocorreu uma mudança na expectativa dos pacientes em relação aos resultados das fraturas sendo que os pacientes atuais tem um grau de exigência muito maior em relação aos resultados funcionais e da resolução rápida da dor . 11 (A) Pode estar havendo uma mudança no padrão das fraturas com uma maior participação de pacientes politraumatizados e com fraturas mais graves causadas por traumas de maior energia. 17 (A) Ocorreu também nas últimas décadas uma popularização das técnicas operatórias com diminuição da lesão de partes moles, profilaxia antibiótica, melhora dos implantes e a fixação das placas melhorou e apresenta resultados reprodutíveis mais constantes. 11 (A)  

Referencias:
  1. Jan Nowak, Margareta Holgersson and Sune Larsson Can we predict long-term sequelae after fractures of the clavicle based on initial findings? A prospective study with nine to ten years of follow-up., J Shoulder Elbow Surg 2004;13: 479–486.
  2. Nordqvist A, Petersson CJ. Incidence and causes of shoulder  girdle injuries in an urban population. J Shoulder Elbow Surg  1995:4:107-12.
  3. Nordqvist A, Petersson C. The incidence of fractures of the clavicle. Clin Orthop 1994:300: 127-32.
  4. Robinson CM. Fractures of the clavicle in the adult: Epidemiology and classification. J Bone Joint Surg [Br] 1998;80-B(3):476—84.
  5. Mogens B. taursen, and Kai V. Dassing, J Clavicular nonunions treated with compression plate fixation and cancellous bone grafting: The functional outcome J Shoulder Elbow Surg 1999;8:410-413.
  6. Edelson, J. Gordon, The bony anatomy of clavicular malunions J Shoulder Elbow Surg 2003;12:173-8
  7. Quesana F. Technique for the roentgen diagnosis of fractures of the clavicle. Surg Gynaecol Obstet 1926;42:4261-81
  8. Jeremy R. P. Sharr, and Khalid D. Mohammed, Optimizing the radiographic technique in clavicular fractures J Shoulder Elbow Surg 2003;12:170-2
  9. B.D. Coupe, J.A. Wimhurst, R. Indar, D.A. Calder, A.D. Patel. A new approach for plate fixation of midshaft clavicular fractures, Injury, Int. J. Care Injured (2005) 36, 1166—1171

  1. Stefanos Lazarides, and George Zafiropoulos,  MPhil, Merthyr Tydfil, Conservative treatment of fractures at the middle third of the clavicle: The relevance of shortening and clinical outcome J Shoulder Elbow Surg 2006;15:191-194
  2. Canadian Orthopaedic Trauma Society. Nonoperative treatment compared with plate fixation of displaced midshaft clavicular fractures the journal of bone & joint surgery · jbjs.org volume 89-a number 1 · january 2007
  3. Witzel K. Intramedullary osteosynthesis in fractures of the mid-third of the clavicle in sports traumatology, Z Orthop Unfall. 2007 Sep-Oct;145(5):639-42
  4. Lee YS, Lin CC, Huang CR, Chen CN, Liao WY.Operative treatment of midclavicular fractures in 62 elderly patients: knowles pin versus plate. Orthopedics. 2007 Nov;30(11):959-64
  5. T Harnroongroj MD, V Vanadurongwan MD Biomecamical aspect of plating asteosyntheis of transverse clavicular fracture with and without inferior cortical defect  Vol. 11, No. 5, 290-294, 1996 Clin. Biomech
  6. Robinson CM, Court-Brown CM, McQueen MM, Wakefield AE. Estimating the risk of nonunion following nonoperative treatment of a clavicular fracture. J Bone Joint Surg Am. 2004;86:1359-65
16. Hill JM, McGuire MH, Crosby LA. Closed treatment of displaced middle-third fractures of the clavicle gives poor results. J Bone Joint Surg Br. 1997;79: 537-9
17. Zlowodzki M, Zelle BA, Cole PA, Jeray K, McKee MD; Evidence-Based Ortho-paedic Trauma Working Group. Treatment of midshaft clavicle fractures: systemic review of 2144 fractures: on behalf of the Evidence-Based Orthopaedic Trauma Working Group. J Orthop Trauma. 2005;19:504-7.27.
18. Bostman O, Manninen M, Pihlajamaki H (1997) Complications of plate fixation in fresh displaced midclavicular fractures. J Trauma 43:778–783
19. Andersen K, Jensen PO, Lauritzen J. Treatment of clavicular fractures. Figure-of-eight bandage versus a simple sling. Acta Orthop Scand. 1987;58:71-4. 
20. Neer CS 2nd. Nonunion of the clavicle. JAMA. 1960;172:1006-11
21. Nordqvist A, Petersson CJ, Redlund-Johnell I. Mid-clavicle fractures in adults: end result study after conservative treatment. J Orthop Trauma. 1998;12:572-6
22. Jonas Andermahr,  Axel Jubel,  Andreas Elsner, Axel Prokop, Prokopios Tsikaras, Jesse Jupiter, Juergen Koebke Malunion of the clavicle causes significant glenoid malposition: a quantitative anatomic investigationSurg Radiol Anat (2006) 28:447–456

Escrevi esse artigo para o projeto diretrizes da SBOT-AMB em 2008 em Parceria com o Dr. Helio Barroso esse artigo foi publicado no Setimo livro do Projeto Diretrizes da AMB.

Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Traumatologista e Médico do Esporte
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Atualizado em 29/03/2011

Estalar Coluna Dedos e Articulações Faz Mal ?

O que provoca o barulho quando estalamos os dedos a coluna e as articulações em geral?
O barulho é provocado pela separação abrupta das superfícies articulares ou pelo movimento de um ligamento sobre uma protuberância óssea.

Estalar dedos e Articulações faz mal?
Sim, faz mal. O estalar frequente provoca um alongamento capsular que a longo prazo leva a instabilidade articular e a formação de osteófitos periarticulares.

Estalar as juntas da mão engrossa os dedos?
Sim, estalar as pequenas articulações dos dedos a longo praso provova um alongamento na cápsula articular, esse alongamento capsular leva a uma instabilidade relativa ( a junta fica meio frouxa) sempre que temos instabilidade o organismo tenta estabilizar a região com crescimento ósseo e esse crescimento ósseo periarticular é o osteofito ( pico de papagaio ) que faz com que as articulações fiquem mais grossas e dificultem a colocação dos anéis.

Estalar a coluna faz mal?
Sim, estalar a coluna com frequencia também leva a instabilidade que leva a formação de osteófitos e picos de papagaio. O problema dos picos de papagaio na coluna é que essas estruturas podem comprimir a medula e as raizes nervosas. o alongamento das partes moles e ligamentos na coluna também favorece as protusões e hérnias discais. 

Quais os problemas que podem surgir quando estalos muito as articulações?
Instabilidade articular, artrose e na coluna protusões e hernias discais.

Tenho estalos nas juntas tenho que ficar preocupado?
Os estalos e barulhos articulares podem ser normais e fisiológicos, porém não devemos provocar os estalos repetidamente, uma coisa é o ombro ou o joelho estalarem quando realizamos um determinado movimento, outra coisa e repetirmos sempre esse movimento para provocar o estalo. A primeira opção é fisiológica a segunda opção é patológica e deve ser evitada.

Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Traumatologista e Médico do Esporte
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Atualizado em 25/09/2013

Condromalacia Patelar / Rotuliana

Condromalacia e Condropatia Patelar da rotula são patologias muito comum no Joelho. A condromalacia é um "amolecimento da cartilagem". A condromalacia ocorre por excesso de pressão entre a cartilagem da troclea femural e a cartilagem da rótula. A condropatia se refere a cartilagem doente. Essa patologia provoca dor na parte anterior do joelho. A condromalacia de rotula é algumas vezes sitada como joelho do corredor

A rotula é o mesmo que patela?
Sim, o nome rótula é o nome mais novo, publicado na última nomina anatómica, porém continuamos usando o nome patela, com por exemplo articulação patelo femoral, não usamos rotineiramente o nome articulação femuro rotuliana ou rotulo femoral.

A condromalacia rotuliana é mais frequente nas mulheres?
Sim, a mulher tem uma maior a desgaste da cartilagem do Patela devido ao alinhamento dos membros inferiores, a mulher tem uma inclinação um pouco maior do ângulo do joelho (geno valgo) e tem piores hábitos posturais para sentar.

Quais as forças de pressão que agem sobre a cartilagem articular durante a flexão do joelho?
As forças de compressão articulares podem ser muito altas na  articulação femuro rotuliano: 3 vezes o peso corporal para subir e descer escadas e 7 vezes o peso corporal com flexão maior que 90 graus.
Como é a cartilagem do patela?
A cartilagem articular é de até 5 mm (mais grossa no corpo) para acomodação destas altas forças 

Como surge a condromalacia?
A condromalacia rotuliana é uma patologia de evolução lenta, demora anos para se desenvolver. Ocorre devido a hiperpressão entre a Rotula e  o fémur durante o movimento de flexo extensão do joelho. Pode ser também provocada por lesões traumáticas agudas ou repeditas no Joelho com por exemplo realizar chutes repetidos com o joelho ou até mesmo subir e descer escada.

Biomecanicamente como surge a condromalacia?
A rotula é o osso no organismo que sofre a maior stress de cizalhamento, a força de cizalhamento da articulação patelofemural  é de aproximadamente 7 vezes o peso corporal. Ou seja numa pessoa de 72 Kg a força de cizalhamento é de aproximadamente 500Kg! Conhecendo esses números fica fácil entender que pequenas mudanças biomecânicas podem provocar lesões na cartilagem da rotula.

Quais os principais sintomas da Condropatia patelar?
O principal sintoma é a dor na face anterior do joelho que piora com os movimentos de flexo extensão ativa. A dor é uma queixa comum para subir e descer escadas, pisar na embreagem, abaixar, dor ao levantar depois de ficar muito tempo sentada ( exemplo ao levantar do ónibus ou sair do cinema)

Como é feito o tratamento do condromalacia da Rótula?
O tratamento inicialmente é não operatório, com medicação e fisioterapia, porém alguns casos requerem cirurgia. o médico irá analisar se há alguns problema estrutural e instituirá a terapêutica adequada a cada caso.

Qual o melhor tratamento para a condromalacia e a condropatia?
O melhor tratamento dever'a ser determinado pelo seu ortopedista.


Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Traumatologista e Médico do Esporte
R. Sorocaba, 706 - Botafogo, Rio de Janeiro - RJ, 22271-110, Brasil
Atualizado em 20/03/2011

Comer, Pensar, Fazer, Ser

Somos o que comemos.
Somos o que fazemos.
Somos o que pensamos.
Somos o que somos.

Porque ficamos doentes?
Porque temos doenças e outros não?
Porque uma doença degenerativa não acomete os dois lados do corpo ao mesmo tempo necessariamente?

Uma das perguntas mais frequentes no consultório é: porque isso aconteceu doutor?
O diabético tipo II ocorre mais frequentemente em obesos, porém os não obesos também podem apresentar a doença ou seja a comida e os hábitos alimentarem são fatores predisponentes ao surgimento do Diabetes. Esse é um exemplo de que Somos o que comemos

A Artrose do joelho é uma doença degenerativa portanto em teoria deveria acometer os dois joelhos ao mesmo tempo, de modo simétrico, porém, isso nem sempre ocorre, a explicação para isso é que os joelhos sofrem ao longo da vida traumas diferentes, usamos um mais que o outro, torcemos um joelho no futebol, etc.
Esse é um exmplo que o nosso comportamento diante da vida influencia o surgimento de doenças e patologias: Somos o que fazemos.

O estado de angustia e depressão levam a dores crônicas, o pensamento negativo produz efeitos ruins na vida, o contrário também é verdade o pensamento positivo melhora as dores. 
O copo com agua pela metade deva estar sempre meio cheio e nunca meio vazio. 
Um copo com agua pela metade está meio cheio e meio vazio ao mesmo tempo, porém, o nosso cérebro modula o que vemos. Quando vemos o copo meio cheio estamos vendo o lado positivo: tem agua no copo. Quando olhamos o copo e nos focamos na quantidade de agua que falta, estamos vendo o lado negativo: falta agua no copo portanto ele estaria meio vazio. Sempre olhe para o lado positivo. O copo sempre deve estar meio cheio.
Portanto: Somos o que pensamos.

Somente tem a doença quem pode e não quem quer. Para que você apresente a doença é necessário que o seu organismo seja predisposto geneticamente a apresentar essa patologia. Alguns paciente tem resistência natural a algumas viroses outros são imunes até mesmo a Aids.
Portanto: Somos o que Somos.

Podemos usar essa analogia para todas as patologias do organismo,  nas patologias orteoarticulares principalmente. 

Quais as regras:

  • Vida Saudável ( não fume, álcool restrito a uma taça de vinho tinto nas refeições com carne) 
  • Boa alimentação  ( três cores em todas as refeições)
  • 8 horas de sono todos os dias, 
  • Atividade física regular ( mínimo de 300 minutos por semana) 


Os quatro frases escritas no início desse artigo talvez não sejam inéditas, porém eu nunca as si escritas ou ouvi antes e sempre as uso como filosofia de vida.


Escrito em 01/03/2011

Dr Marcos Britto da Silva 
Ortopedista, Médico do Esporte
Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Google+ Followers