Sindrome Compartimental: Fatores predisponentes

Estudo apresentado na AAOS Meeting 2012 identifica fatores preditivos da síndrome do compartimento. Os principais fatores são: gravidade e desvio (deslocamento) entre os a tibia e o fêmur na fraturas do platô Tibial.

A Síndrome compartimental é uma condição séria, grave e difícil de diagnosticar. Os cirurgiões ortopédicos tinham como principais métodos a avaliação clínica e a aferição da pressão  intra compartimental. 
Os dados do estudo apresentado dia 10 de fevereiro de 2012 no Anual Meeting da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos indicam que o deslocamento lateral e medial do fêmur e gravidade da fratura são fortes preditores de síndrome compartimental, nas fraturas do planalto tibial. 
Fig. 1 - Fratura do Platô Tibial
Índice de Alargamento Tibial
Foto do Artigo de Bruce Ziran
Fig. 2 Índice de deslocamento
Látero-Lateral Fêmur Tíbia
Foto do Artigo de Bruce Ziran
Os Autores do Trabalho Dr. Becher e  Bruce Ziran, MD, realizaram uma análise retrospectiva de 240 pacientes com fraturas do planalto tibial que tinham sido tratados em uma única instituição entre fevereiro de 2006 e setembro de 2010. Eles identificaram 159 pacientes (162 fraturas), cujo eixo proximal do fêmur e da tíbia distal do eixo estavam intactos e bem visualizado em radiografias ântero-posterior (AP)

A maioria das lesões (42 por cento) foram o resultado de colisões de veículos a motor. A coorte foi dividida em dois grupos: fraturas do planalto tibial com síndrome de compartimento (n = 18; 13 homens, 5 mulheres, com idade média = 42 anos) fraturas do planalto tibial sem síndrome compartimental (n = 141; 84 homens, 57 mulheres, com idade média = 48 anos) Usando as radiografias e avaliando o índice de deslocamento no AP, os autores mediram o alargamento da tíbia ao nível da articulação, calculado como uma relação entre a largura do fémur em relação a largura da tíbia (Fig. 1); e o deslocamento medial do fémur em relação à tíbia, calculado como a razão do deslocamento no longo eixo femoral em relação ao longo eixo da tíbia (Fig. 2) Avaliaram também a gravidade da fratura em ambos os grupos. 

Para explicar as diferenças de tamanho e ampliação, a largura intacta da região condilar femoral serviu como parâmetro de normatização. Os investigadores idealizaram a hipótese de que o risco de síndroma de compartimento seria aumentada quando o fémur estivesse deslocado em relação à tíbia, e houvesse um maior alargamento tibial levando a mudança da arquitetura vascular. 
Eles também avaliaram parâmetros clássicos de gravidade em radiografias, incluindo a classificação de Schatzker. 
Schatzker é um sistema de classificação que avalia a gravidade das fraturas do planalto tibial nos seguintes seis tipos: 
Resultados: A análise multivariada revelou uma maior taxa de deslocamento do fêmur (maior que 10%, P = 0,004) e maior grau na classificação de Schatzker (IV-VI, P = 0,031) estavam fortemente associadas à síndrome de compartimento. O alargamento tibial foi menos significante como preditor de síndrome compartimental.

Conclusão: o deslocamento do fêmur em ambos os sentidos lateral e medial ( >10%), bem como a gravidade da fratura ( Shatzker IV, V e VI), foram fortemente preditivas de síndrome de compartimento," e isso possibilita ao médico outro método para determinar a quantidade de tecidos moles lesados: O Índice de deslocamento látero-Lateral Fêmur Tíbia (figura 2).

Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Traumatologista e Médico do Esporte
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
atualizado em 12/02/2012
Leia os outros Artigos publicados sobre as novidades apresentadas no Congresso da AAOS - 2012

Comentários

  1. Doutor, me desculpe mas como no post de lesão de LCA eu não conseguir postar, vai nesse aqui..
    Sou seguidor do seu blog. Por meio deste email quero tirar uma dúvida. No meu caso, rompi o LCA há 1 ano e meio, fiz a cirurgia pelo enxerto dos tendões flexores, mas rompi o neoligamento agora. Porém, dessa vez o ortopedista me disse estar querendo fazer o enxerto por tendão patelar, mas ele me disse isso brevemente, sem poder me explicar. Só tenho uma consulta com ele daqui a um mês e estou bastante curioso. RESUMINDO, minha curiosidade é: Uma vez ja tirado o enxerto dos tendões flexores, não poderia ser feito o mesmo depois de dois anos?

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MARCOS BRITTO DA SILVA
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- Médico Ortopedista Especialista em Traumatologia e Medicina Esportiva - Chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Pró-Cardíaco, - Professor Convidado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, - Membro Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte | SBMEE, Médico do HUCFF-UFRJ, - International Affiliate Member of the AAOS - American Academy of Orthopaedic Surgeons - Membro da Câmara Técnica de Ortopedia e Traumatologia do CREMERJ, - Especialista em Cirurgia do Membro Superior pela Clinique Juvenet - Paris, - Professor da pós Graduação em Medicina do Instituto Carlos Chagas, - Professor Coordenador da Liga de Ortopedia e Medicina Esportiva dos alunos de Medicina da UFRJ, - Membro Titular da SBOT - ( Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), - Membro Titular da SBTO - ( Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico), - Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da UFRJ - Internacional Member AO ALUMNI Association, - Internacional Member: The Fédération Internationale de Médecine du Sport,(FIMS)/International Federation of Sports Medicine (http://www.fims.org),