Dr. Marcos Britto da Silva - Ortopedista,Traumatologia e Medicina Esportiva: Fratura do Platô Tibial

Fratura do Platô Tibial

Fratura de Plato Tibial Uso de substituto ósseo para
sustentação: esse cimento será incorporado pelo
organismo nos próximos meses
Fraturas da região proximal da tíbia ( Platô ou Planalto tibial)
A fratura ou ruptura, na parte superior da tíbia pode resultar de uma lesão de baixa energia, tal como uma queda de uma altura, ou a partir de uma lesão de alta energia, tal como um acidente de automóvel ou um atropelamento O manuseio correto dessas fraturas irão ajudar a restaurar a função do membro (força, movimento, estabilidade e diminuir o risco de artrose secundária a um degrau articular.
Os tecidos moles (pele, músculo, nervos, vasos sanguíneos e ligamentos) também podem ser lesados no momento da fratura. Devido a isso, o cirurgião ortopédico também vai procurar por sinais de danos nas partes moles pois grandes lesões podem atrapalhar o tratamento cirúrgico.
A grande maioria das fraturas do platô tibial requer tratamento cirúrgico, porém nas fraturas de baixa energia e sem desvio ou afundamento articular o tratamento não operatório pode ser considerado


Anatomia
A articulação do joelho é o maior junta de carga do membro inferior e suporta aproximadamente 85% do peso corporal. Apresenta movimentos complexos.O movimento do joelho ocorre em vários planos, por exemplo, para trás e para a frente e, em menor grau, para os lados e em rotação. A estabilidade da articulação é dependente não só nos tecidos moles (músculos e ligamentos) mas também da maneira pela qual as superfícies da articulação se opõem ( fêmur / tíbia / rotula )  para manter os ossos do joelho adequadamente alinhados.
O osso que compreende o planalto tibial é esponjoso, ao contrário do osso cortical mais grossa da diáfise da tibial. A composição do osso é importante, porque a osso esponjoso pode comprimir e permanecer deprimido quando está lesionado. Isso permite freqüentemente o afundamento de parte da articulação após uma fratura do 1/3 proximal da tíbia.
As lesões de alta energia em pacientes mais jovens e de baixa energia em pacientes idosos em geral evoluem com depressão e afundamento de parte da fratura que irá produzir um degrau articular a menos que a fratura seja tratada com redução, enxertia e fixação.
Os Tecidos moles também estão em risco. Nervos e vasos sanguíneos que percorrem através do joelho são adjacentes às estruturas ósseas e pode ser lesados também. A pele ao redor da articulação pode ser comprometida pela lesão em si ou  inchaço do tecido mole que muitas vezes resulta.

Causas
As fraturas do platô tibial em lesão estão relacionadas ao trauma, traumas agudos por acidentes e quedas ou traumas crônicos , de traumas de pequena intensidade e/ou repetidos, em pacientes com ossos mais fracos, pacientes obesos, com doenças óssea, doenças metabólicas, desnutrição, baixa ingesta de leite e derivados ou baixa ingestão proteica.Uma fratura da região superior da tíbia pode ocorrer a partir de estresse (fraturas de estresse) ou num osso já comprometido (como no câncer ou infecção). A maior parte, contudo, são o resultado de um trauma .
No jovem essas fraturas ocorrem, muitas vezes, como resultado de uma lesão de alta energia,  tais como uma queda de uma grande altura, lesão desportiva, traumas e acidentes de trânsito.
Idosos com pior qualidade óssea, muitas vezes, necessitam apenas um trauma de baixa energia (queda de uma posição em pé) para criar essas fraturas.Muitas pessoas mais velhas também podem ter preocupações médicas, tais como problemas cardíacos ou pulmonares, diabetes ou outras doenças que devem ser consideradas e tratadas.

Os sintomas
Uma fratura do terço proximal da tíbia, pode resultar em prejuízo para  os ossos e os tecidos moles da região do joelho.Dor na sustentação de peso. Normalmente, o indivíduo ferido é mais consciente de uma incapacidade dolorosa ao tentar colocar peso sobre o membro afetado.
Dolorimento ao torno do joelho e dificuldade para dobrar. O joelho pode inchar e parecer tenso, devido ao sangramento dentro da articulação. Isto também limita o movimento (flexão) da articulação.
Deformidade em torno do joelho. A perna pode parecer deformada.
Pé, pálido e fria. A aparência pálida ou sensação de frio ao pé pode sugerir que o fornecimento de sangue esta de alguma forma prejudicada.
Dormência em torno do pé. Dormência ou "alfinetes e agulhas " espetando o pé levanta a preocupação sobre lesão do nervo ou inchaço excessivo dentro da perna

Se estes sintomas estão presentes após uma fratura, você deve procurar atendimento médico imediato. 

Diagnóstico
O diagnóstico de uma fratura da região proximal da  tíbia, comprometendo a articulação do joelho é baseada tanto no exame clínico quanto nos exames de imagem.
Durante o exame clínico, o médico vai pedir detalhes sobre as circunstâncias que resultaram na  lesão ( história clínica do acidente). Relate detalhadamente a história.
O ortopedista poderá examinar toda a perna em busca de hematomas, bolhas, flictenas inchaço, escoriações e feridas abertas. O exame neurológico e vascular em geral acompanha a exame clínico. 

Exames de Imagem

Fratura do Plato Tibial Lateral o afundamento é melhor
demonstrado na tomografia computadorizada a esquerda
As radiografias simples e a tomografia computadorizada são os principais exames para avaliar, classificar e planejar o tratamento operatório. Nas fraturas de estresse a ressonância magnética ( fraturas ocultas e lesões ligamentares) e a cintilografia óssea podem ajudar no diagnóstico


Tratamento
Considerações
O médico irá avaliar vários parâmetros como idade, grau de atividades, tipo de fratura, degrau articular e lesões de partes moles para determinar se o tratamento é cirúrgico ou conservador.  Há vantagens e os riscos associados com as duas formas de tratamento.
A decisão de se tratar o paciente de modo cirúrgico é um escolha feito pelo ortopedista em associação com o paciente e a família. O tratamento preferido é, portanto, baseada nos detalhes específicos da lesão e as necessidades gerais do paciente. Importante lembrar que os desvios articulares irão evoluir para artrose secundária, e caso o paciente opte por tratamento não operatório nos desvios maiores estará ciente desse risco.
Em um indivíduo ativo, restaurar a articulação através de cirurgia é muitas vezes a melhor opção, porque isso irá maximizar a estabilidade da articulação e o movimento e minimizar o risco de artrose. Pacientes mais idosos com várias comorbidades e limitação funcional prévia podem se beneficiar menos do tratamento operatório. 

Cuidados de Emergência
Logo depois de um acidente a pele lesada e os tecidos moles podem estar ainda mais prejudicados e impedir uma cirurgia aberta. Nesse caso, uma fixador externo temporário pode ser aplicado para suportar o membro. Os tecidos moles podem, em seguida se recuperar permitindo a cirurgia definitiva numa data posterior

Se a pele estiver lesada e há uma ferida aberta, existe a preocupação de que a fratura subjacente pode ser exposta a bactérias que podem causar uma infecção. O tratamento cirúrgico inicial serve para limpar as superfícies de fratura e os tecidos moles para diminuir o risco de infecção.

Raramente, o inchaço dos tecidos moles pode ser tão grave a ponto de ameaçar o fornecimento de sangue para a perna e o pé (uma condição conhecida como síndrome do compartimento). Isto pode requerer uma cirurgia de emergência, em que são feitas incisões verticais para soltar a pele e o fáscia muscular. Isso é chamado de fasciotomia. Estas incisões são muitas vezes deixadas abertas e, em seguida, fechados ou cobertas dias ou semanas mais tarde, como os tecidos moles e recuperar resolve inchaço. Normalmente também aplicamos um fixador externo temporário ou em algumas situações como tratamento definitivo

O tratamento não cirúrgico
O tratamento não cirúrgico pode incluir restrições de movimento e de sustentação do peso, além da aplicação de dispositivos externos (suspensórios, moldes, gesso, braces, imobilizadores). Tipicamente, os tecidos moles são avaliadas periodicamente e os exames de raios X são tomadas em intervalos determinados.  

Tratamento Cirúrgico
Se o tratamento cirúrgico é a escolha para obter e manter o alinhamento e corrigir o degrau articular, diversos dispositivos podem ser considerados.
As placas são geralmente usados ​​para fraturas peri articulares. Se a fratura compromete a articulação e apresenta afundamento será necessário elevar esses fragmentos e colocar uma sustentação abaixo para permitir a cicatrização na posição correta. Essa sustentação pode ser feita com auto enxerto de crista ilíaca ou com um substituto óssea. Cada um desses métodos tem vantagens e desvantagens.
Após a redução o ortopedista aplica fios, parafusos e placas para manter os fragmentos ósseos no lugar.

Pós operatório
As sínteses estáveis permitem a mobilidade precoce e a fisioterapia ajuda na recuperação do arco de movimento.
A carga ( pisar no chão e colocar peso na perna operada) deve ser terminantemente proibida e o paciente somente poderá pisar quando autorizado pelo seu cirurgião ortopedista. Somente o cirurgião pode autorizar a carga. 

O que discutir com seu cirurgião ortopédico
  • Quais são os meus riscos e benefícios com tratamento não cirúrgico e cirúrgico?
  • Como isso pode afetar a longo prazo as atividades da vida diária, trabalho e atividades de lazer?
  • Eu tenho história médica ou social de tabagismo, uso de drogas, álcool isso pode ter um impacto sobre o meu tratamento ou o resultado?
  • Se eu evoluir para artrose, o que posso esperar e quais são as minhas opções?
  • Após o início do tratamento (cirúrgico ou não cirúrgico) quando posso esperar para suportar o peso e dobrar meu joelho?
  • Como será a fase de recuperação ?
  • Que tipo de ajuda, se houver, vou precisar durante a minha recuperação?
  • Se eu for tratado de modo cirúrgico e um "enchimento ósseo" ou substituto ósseo for usado, quais são as minhas opções? Quais são os riscos e os benefícios?
  • Usarei medicamentos anti coagulantes ("afinadores de sangue")? Se sim, qual e por quanto tempo?
Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Traumatologia e Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Atualizado em 14/12/2014

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12 comentários:

  1. Boa noite! Dr. Marcos, gostaria de uma indicação de um especialista em joelho na cidade de São Paulo. Em maio de 2011 fiz este tipo de fratura, fui operada e foram colocados dez parafusos e uma placa. Em dezembro removi tudo, pois não apresentava melhora, e a inflamação local só piorava. Como o processo evoluiu para artrose severa, nos últimos dias fiz uma radiografia panorâmica em posição ortostática e uma tomografia. A tíbia se reconstituiu perfeitamente, mas existem alterações em tecidos moles, como cartilagens, meniscos, ligamento cruzado anterior, etc. Gostaria de consultar outro especialista, por isso peço, se possível, uma indicação para que possa ter outra opinião, somente porque o caso é grave e estou com medo da artroplastia... Desde já agradeço. Um grande abraço.

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    1. Dê uma olhada no site da SBOT www.sbot.org.br lá você pode encontrar a listas dos membros titulares da sociedade

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  2. Fraturei o plato tibial já faz 100 dias, no terceiro dia de fratura me colocaram um fixador externo transversal onde adquiri uma infeção. E isso só foi demorando pra poder fazer minha cirurgia, coloquei fixador 3 vezes e tirei, fiz minha cirurgia apos 40 dias de internação, tudo muito complexo, perdi um menisco, hj faz 60 dias q estou operada, ainda sinto dores (leves)não posso colocar carga na perna q a tibia foi quebrada, meu medico ja me alertou de perdi 50 graus de movimentação do joelho, e posso ter uma artrose precoce e precisar de proteses precocemente, tudo isso devido a demora em fazer a cirurgia devido a infecção. Doutor posso ter esperança ou no seu ponto de vista procede tudo isso q foi me informado. Estou sendo assistida pelo melhor medico de joelho do HC de Ribeirão Preto. Obrigado!

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    1. Tenha esperança e perseverança na fisioterapia.

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  3. Dr. Marcos, parabéns pelo site.
    O laudo do RX indica "discreta depressão com desalinhamento ósseo do aspecto anterior do planalto tibial, sugerindo fratura".
    Neste caso, a cirurgia é indicada? Obrigado, Guilherme.

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  4. Dr. É normal ter sangramento apos a cirurgia? (Os pontos ainda Nao foram removidos).

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    1. Os pontos são colocados separadamente para permitir a drenagem de sangue e líquidos acumulados na ferida, isso evita a formação de hematomas, porém grandes sangramentos devem ser informados imediatamente ao seu médico.

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  5. Dr. Marcos, por conta de uma torção com trauma no meu joelho esquerdo, tive que fazer rx dos 2 joelhos e descobri que no meu joelho direito eu tenho um cisto ósseo no terço proximal da tíbia. A mancha no rx pra mim é até grandinha e me preocupa..fiz o exame e fui ao médico a 3 anos e ele não me alarmou sobre isso e me passou uma cartela de um remédio e disse que meu corpo poderia absorver o cisto. Fiquei despreocupada e tomei o remédio e voltei a fazer fisioterapia e exercícios físicos. Não me disse se teria que acompanhar todo o ano esse cisto ou não. Como fiquei preocupada esses dias com esse cisto porque não voltei a fazer o exame, fui a um outro médico só pra saber se ele achava que eu tinha que fazer um novo exame pra saber como ia o tal cisto. Ele assustado, "brigou" comigo por ter demorado 3 anos pra voltar ao médico, porque pra ele não é coisa atoa. Enfim.. é grave? é caso de cirurgia? agora to com medo rss. Obrigada

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    1. Pelo seu relato você seguiu as orientações prescritas

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  6. Boa noite.
    Eu sofri uma queda de moto e fraturei a tíbia do joelho, para ser mais esato foi esse relatório medico entregue em minha mão: POS-OPERATORIO DE OSTEOSSINTESE DE FRATURA PLANALTO TIBIAL LATERAL JOELHO ESQ SHATZKER 05 COM AFUNDAMENTO ARTICULAR.
    Sofri o acidente no dia 21-04-2014 e fiz cirurgia no dia 25-04-2014 tive alto no dia 28-04-2014 no dia 09-05-2014 porem trabalho por conta própria sou motorista e vendedor, trabalho por conta própria no dia 11-05-2014 fiz um pouco de força para poder dirigir pisando na embreagem aparentemente não lesionou nem causou nada somente um pouco de dor. queria saber quais são os risco que estou correndo ao fazer isso. por favor preciso de ajuda, pois gostaria de trabalhar, porem não quero fica com sequela quero uma recuperação boa sem sequelas gosto da minha perna funcionando perfeitamente.


    aguardo por respostas por favor.
    lidyer@bol.com.br

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