Dr. Marcos Britto da Silva - Ortopedista,Traumatologia e Medicina Esportiva: Dor Regional Complexa/Atrofia de Sudeck

Dor Regional Complexa/Atrofia de Sudeck

A síndrome de dor regional complexa ou Atrofia de Sudeck é uma condição de dor em queimação intensa, rigidez, inchaço ( edema) e palidez que compromete frequentemente a mão após um trauma ou fratura . Os braços, pernas e pés também podem ser afetados pela Síndrome de dor regional complexa
Esta condição também é conhecida como distrofia simpático-reflexa, Síndrome de Sudeck, Síndrome ombro-mão, causalgia doença fraturaria ou doença do gesso..

Descrição
Existem dois tipos de síndrome de dor regional complexa:
Tipo 1 segue a lesão definida do nervo
Tipo 2 ocorre depois que uma doença ou uma lesão temporária do nervo
Embora os gatilhos variam, os dois tipos de atrofia de Sudeck tem os mesmos sintomas e através das mesmas três fases da doença.

Estágio I: Aguda
Pode durar até 3 meses. Os pacientes em geral relatam dor em queimação e sensibilidade aumentada ao toque, são os sintomas iniciais mais comuns. Esta dor é diferente, mais constante e dura mais tempo do que seria de esperar com uma determinada lesão. Inchaço e rigidez muitas vezes surgem a seguir, juntamente com uma zona de calor e vermelhidão no membro afetado. Pode haver crescimento de pelos e unhas mais rapidamente e transpiração excessiva.

Estágio II: Distrófico
Pode durar de 3-12 meses. melhora o inchaço e surgem rugas na pele. A temperatura da pele torna-se mais frio. As unhas dos dedos das mãos se tornam frágeis. A dor é mais disseminada, aumenta a rigidez e a área afetada torna-se mais sensível ao toque.

Fase III: Atrófica
Fase III ocorre depois de 1 ano. A pele da área afetada torna-se pálida, seca, muito apertado e brilhante. A área é rígida e há menos possibilidade de recuperar o movimento. A dor pode diminuir e a doença pode se espalhar para outras áreas do corpo.

Causas do desenvolvimento da Atrofia de Sudeck
Ambos os tipos de síndrome de dor regional complexa  podem estar ligadas a uma lesão ou doença não é conhecida a causa exata da síndrome. Uma teoria é que um "curto-circuito" do sistema nervoso é o responsável. A doença leva a uma atividade excessiva do sistema nervoso simpático (inconsciente) que afeta o fluxo de sangue e as glândulas de suor na área afetada.
Os sintomas mais comumente ocorrem após uma lesão: contusão mais grave ou uma fratura, porém pode surgir após uma cirurgia. Outras causas incluem a pressão sobre um nervo, infecções, câncer, problemas no pescoço, AVC ou ataque cardíaco.

Exames
O diagnóstico a Síndrome  é eminentemente clínico pela história e exame físico, nos casos mais avançados podemos observar uma intensa desmineralização dos exames de Raios X simples. (Osteopenia) Alguns estudos de imagem, como, cintilografia óssea e ressonância magnética (RM) podem ajudar o médico a fazer um diagnóstico definitivo.

Tratamento
O diagnóstico precoce  e o tratamento precoce são importantes para evitar que a atrofia de Sudeck evolua para estágios mais avançados.
Também é importante que esses pacientes sejam informados de que a dor faz parte da síndrome e é uma condição fisiológica. Embora não é totalmente compreendido a dor regional complexa é tratável.
O objetivo do tratamento é diminuir a dor e permitir que o paciente movimente as extremidades, em geral o movimento piora as dores e o paciente tente a ficar totalmente imobilizado o que piora a atrofia muscular.

O tratamento não cirúrgico
Medicamentos. Anti-inflamatórios não esteróides (AINEs), analgésicos, calcitonina, antidepressivos, anticonvulsivantes, corticosteróides orais, e analgésicos opióides são fármacos que podem ser tentados para aliviar os sintomas. Exercício ativo que enfatiza a utilização normal do membro afetado é essencial para alívio permanente desta condição. 

Tratamento injetável. A injeção de um anestésico (medicamento anestésico) perto dos nervos simpáticos afetadas podem reduzir os sintomas. Isso geralmente recomendado no início da síndrome para prevenir a progressão para estádios mais avançados, porém pode não ser efetivo em todos os pacientes

A  Dor Regional Complexa em geral é autolimitada e mesmo nos casos mais demorados a longo praso evolui com melhora dos sintomas. Pacientes com quadro depressivo associado tendem a uma evolução mais lenta.

Fisioterapia são importantes para ajudar os pacientes a recuperar padrões normais de uso. Medicamentos e outras opções de tratamento podem reduzir a dor, permitindo ao paciente participar do exercício ativo. Os exercícios ativos que enfatizam a utilização normal do membro afetado é essencial para alívio permanente desta condição.
Biofeedback. A consciência corporal e técnicas de relaxamento podem ajudar no alívio da dor.
Tratamento Cirúrgico
São relatados na literatura vários tratamento cirúrgico porém em geral consigo bons resultados com o tratamento medicamentoso. Exceção as lesões neurológicas primárias onde abordamos diretamente o nervo com reconstrução ou descompressão.
Muitos pacientes com sintomas crônicos (meses/anos) tem poucos benefícios com cirurgia e nesses pacientes foi sugerido avaliação e aconselhamento psicológico.

Dr Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Atualizado em 19/12/2012

4 comentários:

  1. Dr. Marcos Britto,

    A minha mäe tem Atrofia de Sudeck, ela ainda está no primeiro estágio.... Näo gostáriamos de perder tempo para resolver o problema. O senhor poderia nos indicar qual o metódo mais eficaz para a solucäo do problema! Desde já muito obrigada

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    Respostas
    1. Procurar rapidamente um ortopedista e instituir o tratamento específico.

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    2. Caro Dr. Marcos,

      estou no Rio de Janeiro e acabo de receber um diagnóstico de "Atrofia de Sudeck". Meu pé direito está há dois meses inchado (planta do pé e peito do pé), dolorido, quente e vermelho.

      Torci o tornozelo em Brasília, no dia 5 de fevereiro. Quebrei 5º metatarso jogando basquete e descobri que meu dedão do pé também estava machucado por conta de um jogo de futebol realizado no final de novembro.

      Nenhum dos 3 médicos que me atenderam em Brasília (onde também trabalho) falou sobre esta tal Atrofia de Sudeck, simplesmente me mandaram esperar consolidar a fratura, fazer fisioterapia e andar. Na fisioterapia estavam tentando reduzir o edema, mas meio que sem saber como. Tentaram gelo, calor e contraste, além de Tens e ultrassom. Tirei uma das muletas e ando agora com apenas uma, mas ainda há dor e o pé ainda incha.

      Fiquei preocupado pois minha primeira pesquisa pela Internet foi terrível. Tive a impressão de que ninguém sabe muito bem o que é isso, nem sabe como tratar direito. Que podia ser psicológico ou não. Podia durar anos ou acabar espontaneamente. Que pode/deve ser tratado com remédios ou não, e vi até relatos sobre cirurgias. Como mesmo o médico aqui no Rio não receitou remédio algum, apenas fisioterapia, não sei como proceder...

      Devo procurar um especialista neste tipo de agravo? Poderia, por favor, me dar algum alento (informação, mesmo que indicação bibliográfica) e me indicar algum especialista ou local especializado na cidade do Rio de Janeiro?

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    3. Sim , como você esta no rio Rio de Janeiro posso ajudá-la pessoalmente.

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