Entrevista a Revista Gestão e Saúde

O paciente chega ao pronto-socorro e reclama de dor muscular. Não sabe a frequência e muito menos mensurar a intensidade.
  • Como definir que tipo de lesão o paciente apresenta? 
  • De que forma tratar? 
  • Como auxiliá-lo no tratamento desses diferentes traumas?

Estas e outras questões são respondidas na entrevista a seguir pelo ortopedista Marcos Britto da Silva
O especialista carioca, que também é médico do Esporte, ressalta que para um diagnóstico correto é importante buscar a história clínica do paciente. “O médico deve fazer as perguntas para o paciente, para saber de que modo aquela dor surgiu. Resumidamente, a identificação é feita através da história clínica e do exame físico do paciente. O exame fundamental é o exame físico com palpação do paciente. A princípio, não usamos um diagnóstico por imagem”, explica. Saiba mais na entrevista abaixo.

Entrevista a Rosemere Leonel

Como o medico identifica e diferencia uma lesão muscular de uma contratura muscular e de uma câimbra?
Marcos Britto – Como na maioria das patologias, isso se define pela história clínica. Ele deve fazer as perguntas para o paciente: de que modo aquela dor surgiu?  Na história clínica você começa a ter indícios do que está acontecendo.
Uma câimbra é uma dor mais intensa, mais violenta. Já o espasmo muscular é um quadro que evolui mais lentamente. Sendo assim, já podemos observar algumas diferenças na história. A câimbra é uma dor Aguda. Já o espasmo muscular é um quadro que evolui mais lentamente. Sendo assim, já podemos observar algumas diferenças na história clínica. naquele período e depois na região apresenta dor. O espasmo muscular, muitas vezes, ainda se apresenta durante o exame físico, com a região podendo estar enrijecida. 
Resumidamente, a identificação é feita através da história clínica e do exame físico do paciente. O exame fundamental é o físico, de palpação do paciente. A princípio, não é essencial um diagnóstico por imagem.

Quais são as causas mais comuns dessas lesões?
MB – As causas são diferentes. As duas estão relacionadas à atividade física. Ambas são mais comuns em pessoas sem preparo físico, porém, também ocorrem em atletas de alta performance. A câimbra também está relacionada a deficiências e erros de hidratação. Exemplo: fazer atividade física sem estar hidratado ou em sol muito quente favorece ao surgimento de uma câimbra ou um espasmo muscular. 

Quais as causas dessas câimbras:
MB: Isso pode estar relacionado a um desequilíbrio de íons, como sódio, potássio e cálcio, . A pessoa, suando muito, perde eletrólitos. Não tendo uma reposição adequada desses eletrólitos, pode favorecer  contratura espontânea do musculo. Uma pessoa que não tem preparo físico, e portanto não tem uma oxigenação adequada do músculo, também pode gerar muito ácido lácteo e outras substâncias do esforço físico anaeróbico no meio muscular que acabam fazendo com que a musculatura entre em contração sem o estímulo neurológico.

Como é feito o atendimento a cada um desses casos no PS?
MB – No pronto-socorro, o mais importante é identificar a patologia. Se houver associação da lesão muscular com um trauma esse paciente precisará passar por um exame de imagem, como uma radiografia. Se houver dúvida com outras patologias, como rupturas ou outras lesões musculares mais graves, podem ser necessários outros exames como: ressonância, ultrassom, exames de sangue, etc . Normalmente, nesses locais, o exame mais comuns disponível é a ultrassonografia. 

Tratamento
Se você fará uma atividade física, você tem que se preparar antes de começar essa atividade, com hidratação e alimentação. Uma avaliação médica pré exercício também é muito importante. Caso ocorra uma lesão muscular deve-se aplicar gelo local por não mais de 20 minutos seguidos, repetido várias vezes ao dia, repouso relativo e analgésicas. Após dois a três dias, inicia-se o tratamento fisioterápico, com ênfase na mobilidade, amplitude de movimentos, fortalecimento muscular e na melhoria da resistência. 
A seguir trabalha-se a propriocepção e o condicionamento geral do paciente, com liberação completa às atividades após o mesmo se encontrar nas condições iguais da pré-lesão.
Para o retornar ao esporte, o paciente deve possuir uma amplitude de movimento articular normal, estar sem dor, edema ou derrame, com uma força muscular e condicionamento cardiorrespiratório normal. 
A alimentação ajuda a prevenir essas patologias?
MB – Uma boa alimentação é fundamental. Se você fará uma atividade física, você tem que se preparar antes de começar essa atividade, com hidratação e alimentação. Você deve ter uma dieta adequada de carboidratos, proteínas e gordura. A ingestão de água e eletrólitos, antes e durante a atividade física. Na alimentação, temos que falar muito da dieta  adequada de carboidratos, antes do início da atividade física e uma pré-hidratação, além da hidratação durante e após a atividade física. 

Algum medicamento é indicado para o tratamento desses casos?
MB – Em alguns casos de contraturas musculares além dos analgésicos podem ser usados os relaxantes musculares.

Entrevista do Dr Marcos Britto da Silva a  Revista Gestão e Saúde.
Atualizado em 27/05/2015

Comentários

Mais Lidos

Compressão do Nervo Ulnar no Cotovelo e Punho

Consolidação das Fraturas

Vitamina D Pura DePURA

Lesão Meniscal no Joelho

Cirurgia para tratamento da Fratura de Tornozelo

Frio ou Calor

Fratura de tíbia - Diafisaria

Cisto de Baker no Joelho

Entorse do Tornozelo

Bula do Addera D3

Minha foto
MARCOS BRITTO DA SILVA
Brazil
- Médico Ortopedista Especialista em Traumatologia e Medicina Esportiva - Chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Pró-Cardíaco, - Professor Convidado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, - Membro Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte | SBMEE, Médico do HUCFF-UFRJ, - International Affiliate Member of the AAOS - American Academy of Orthopaedic Surgeons - Membro da Câmara Técnica de Ortopedia e Traumatologia do CREMERJ, - Especialista em Cirurgia do Membro Superior pela Clinique Juvenet - Paris, - Professor da pós Graduação em Medicina do Instituto Carlos Chagas, - Professor Coordenador da Liga de Ortopedia e Medicina Esportiva dos alunos de Medicina da UFRJ, - Membro Titular da SBOT - ( Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), - Membro Titular da SBTO - ( Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico), - Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da UFRJ - Internacional Member AO ALUMNI Association, - Internacional Member: The Fédération Internationale de Médecine du Sport,(FIMS)/International Federation of Sports Medicine (http://www.fims.org),