Fratura do Quadril em Idosos

Nesse Artigo faço uma revisão da literatura em relação a fratura transtrocanteriana do quadril.

Qual a incidência de Fraturas transtrocanteriana ?

Thomas Russell. AAOS - 2008
50% das fraturas do quadril são transtrocanterianas
50% dessas SÃO fraturas INSTÁVEIS
40% dos pacientes com fratura do qudril necessitarão de muletas ou andadores para caminhar após a cirurgia
24% dos pacientes com fraturas do quadril com idade maior que 50 anos irão morrer em um ano após a cirurgia.

 

Como podemos Prevenir a Fratura transtrocanteriana?

A densidade óssea é um favor determinante na etiologia da fratura trans-trocanteriana é Rara com densidade maior que 1,0 g/cm2 no exame de densitometria
A incidência sobe para 16,6 fraturas por 100 pessoas com densidade menos 0,6 g/cm2. (osteoporose)
Referencia: DEAN G. LORICH JBJS (A) 2004

Qual o Momento Ideal Para Realizar a Cirurgia de pacientes com fraturas de quadril?

-Postergar a cirurgia por mais de 2 dias aumenta a índice de morte no primeiro ano de pós operatório ou seja devemos operar rapidamente.
-O tempo deve ser individualizado paciente a paciente porém todos os esforços devem ser feitos para que o paciente opere nos 2 primeiros dias.
Zuckerman et al. Postoperative complications and mortality associated with operative delay in older patients who have a fracture of the hip.JBJS (A) 1995


Quais as opções para tratamento cirúrgico das fraturas do quadril? (Osteossínteses)

DHS ( dynamic Hip screw ) CHS ( compression Hip Screw )
Haste Intramedulares - Gamma, PFN, TFN
Novos implantes
PCCP ,Meddoff , Talon , DHS - SL , TAN , TFN

Quais as principais complicações com DHS?

Falência de síntese ( a placa solta ou quebra)
1,5% fraturas Estáveis
27% fraturas Instáveis.
Cutout ( o material de síntese corta a cabeça)
Encurtamento do membro inferior ( que levam a Trendelemburg e dor no quadril )

Quais as principais causas dessas complicações?

O cirurgião perdeu autonomia de escolha do material cirúrgico. Os pacientes hoje tem uma relação médico - convênio - paciente, a relação médico - paciente está desaparecendo no momento da cirurgia. As operadoras de plano de saúde se orientam pelo preço da prótese e não pela sua qualidade. Uma fratura instável operada com DHS tem uma chance de 27% de falha. Nesses casos a melhor opção são os implantes centro medulares que custam de 3 a 10 vezes o custo de um DHS. Essa não é a única causa porém é a que mais aflige o cirurgião. Essa foi a principal razão para que eu me descredenciasse dos planos de saúde e dessa maneira tivesse a opção de escolha dos materiais que uso na cirurgia.

Qual a melhor CLASSIFICAÇÃO para fraturas transtrocanterianas?

Pensar na classificação dividindo as fraturas em estáveis e instáveis.
Estabilidade está em conseguir uma redução com oposição das corticais fundamentalmente da cortical medial.
Instabilidade está nas fraturas cominutivas da região póstero-medial, fratura da parede lateral, traço obliquo invertido, fratura transtrocanteriana com extensão para a região subtrocantérica e Fratura do Colo do femur associada a fratura transtrocanteriana.
Distância entre o centro da cabeça e a ponta do parafuso deve ser < 25 mm. na soma da distância entre o AP e perfil

Qual a importância da Fratura da Parede Lateral na fratura transtrocanteriana?

Fratura na parede lateral do quadril instabiliza a fratura transtrocanteriana
Piora o prognostico
Aumenta o impacção e a medialização
o paciente evoluiu com DOR, ENCURTAMENTO E TRENDELEMBURG no pós operatório caso essa fratura não seja abordada e estabilizada Referencia: Gotfried - Clin Orthop 2004

Qual o prognostico dos pacientes com FRATURA DA PAREDE LATERAL?

FRATURAS A2.2 E A 2.3
COM FRATURA PAREDE LATERAL = 22% DE FALÊNCIA
SEM FRATURA DA PAREDE LATERAL = 3% DE FALÊNCIA
PALM ET AL JBJS (A) 2007


Quais os riscos de falência da osteossíntese com CUTOUT ?

OSSO OSTEOPORÓTICO
ROTAÇÃO DA CABEÇA FEMURAL DEVIDO AO EFEITO SPIN
FALÊNCIA DA PAREDE LATERAL DO TROCANTER.
TRAVAMENTO DO SISTEMA DHS

Qual o prognóstico da fratura em relação ao deslizamento do parafuso DHS ?

Segundo Jacobs - fraturas estáveis deslizam 5,3 mm, jea nas instáveis o deslizamento é muito maior 15,7 mm.
Segundo Steinberg et al. - deslizamento médio é de 9,3 mm, deslizamentos > 15 mm estão frequentemente relacionados a falência.
Segundo Rha et al. o deslizamento excessivo é o principal fator de causal de falência da OSTEOSSÍNTESE.
Parker et al. - medialização do colo maior 1/3 da diâmetro da diáfise aumenta em 7x a incidência de falência.
Deslizamento; 15 a 20 mm está associado a diminuição da mobilidade e dor no pós operatório.

Quais as Falhas com implantes de parafuso único em fraturas instáveis?

Instabilidade rotatória
Falha da parede lateral = associada a maior morbidade no pós operatório colapso da
Fratura resulta em encurtamento do membro e fraqueza dos músculos abdutores.
Moroni et al JBJS 2005

Quais as vantagens das técnicas minimamente invasivas DHS ou Haste para tratar a fratura do quadril?

Diminuem o sangramento
Diminuem a lesão muscular
Diminuem as complicações
Diminuem o tempo de consolidação.

Quais as vantagens da osteossíntese com Hastes intramedulares de 1a x 2a gerações ?

A 2o geração apresenta hastes + curtas
Diminuição do offset de 10o para 4o
Diminuição da espessura da haste de 16 para 11 mm, tem menor dor na coxa e incidência de fratura femoral
Menor deslizamento = menor encurtamento do membro inferior.
Apresenta melhora nos resultados clínicos
Exige MAIOR curva de aprendizado
É mais cara.

EVIDENCE BASED WORKING GROUP - JOT 2005
Tratamento da fratura com prótese de quadril

Tratamento controverso
Alto custo
Maior perda Sanguínea e complicações pós operatórias
Tratamento somente para casos selecionados e para revisão de falhas de osteossíntese.

Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedista, Traumatologista e Médico do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
atualizado em 01/09/2019

Comentários

  1. Boa Noite Dr.

    Meu pai tem 81 anos, está com as cabeças do femur gastas em 75%, não dá para colocar protese, pois as pernas estão com feridas, e o médico está com medo de infecção, então resolveu apenas cortar a cabeça do femur. Disse que vai continuar andando e que essa cirurgia existe, apenas demora mais para se recuperar, 3 a 4 meses.
    Procurei na Net. mas não achei nada. Essa cirurgia existe mesmo? Vc sabe o nome? Não lembro o nome que ele me falou.Gostaria de ler mais sobre o assunto pois estamos com medo.

    Muito obrigada.

    Morgana - 45 anos
    Santo André - SP.
    mobovi@uol.com.br

    ResponderExcluir
  2. Não posso fazer comentários sobre um caso sem examinar o paciente. A cirurgia descrita parece ser uma Artroplastia de rececção ou cirurgia de Gilderstone. Usamos essa cirurgia como salvação em casos de rejeição de implantes no quadril.

    ResponderExcluir
  3. qual riscom de cirurgia de paciente de 51 anos de idade que fraturou o acetábulo. email titamabel@gmail.com. grata katia

    ResponderExcluir
  4. O risco cirurgico é determinada pela avaliação clínica criteriosa pré operatória. Na nossa prática clínica usamos o sistema ASA ( Sociedade Americana de Anestesiologia ) que estratifica o risco de I a IV. Sendo classificados com I os pacientes com menos risco cirúrgico e IV os pacientes com maior risco.

    ResponderExcluir
  5. Boa tarde Dr
    Gostei muito da sua matéria. Parabéns!!!
    Dr, gostaria de retirar uma dúvida. Tive tumor na cabeça do fêmur e como havia risco de fratura, o Traumatologista orientou que o melhor procedimento seria a colocação de uma placa DHS. Para fins de medicina essa placa pode ser considerada prótese?
    Obg pela atenção

    ResponderExcluir

Postar um comentário

ANTES DE POSTAR SEU COMENTÁRIO Leia SOBRE O BLOG

http://www.marcosbritto.com/p/blog-page.html

Somente os seguidores do Blog poderão postar comentários.
Não realizamos consultas pela internet!

Mais Lidos

Compressão do Nervo Ulnar no Cotovelo e Punho

Consolidação das Fraturas

Vitamina D Pura DePURA

Lesão Meniscal no Joelho

Cirurgia para tratamento da Fratura de Tornozelo

Frio ou Calor

Fratura de tíbia - Diafisaria

Cisto de Baker no Joelho

Entorse do Tornozelo

Bula do Addera D3

Minha foto
MARCOS BRITTO DA SILVA
Brazil
- Médico Ortopedista Especialista em Traumatologia e Medicina Esportiva - Chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Pró-Cardíaco, - Professor Convidado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, - Membro Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte | SBMEE, Médico do HUCFF-UFRJ, - International Affiliate Member of the AAOS - American Academy of Orthopaedic Surgeons - Membro da Câmara Técnica de Ortopedia e Traumatologia do CREMERJ, - Especialista em Cirurgia do Membro Superior pela Clinique Juvenet - Paris, - Professor da pós Graduação em Medicina do Instituto Carlos Chagas, - Professor Coordenador da Liga de Ortopedia e Medicina Esportiva dos alunos de Medicina da UFRJ, - Membro Titular da SBOT - ( Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia), - Membro Titular da SBTO - ( Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico), - Mestre em Medicina pela Faculdade de Medicina da UFRJ - Internacional Member AO ALUMNI Association, - Internacional Member: The Fédération Internationale de Médecine du Sport,(FIMS)/International Federation of Sports Medicine (http://www.fims.org),