Dr. Marcos Britto da Silva - Ortopedia, Traumatologia e Medicina Esportiva: Lesões Musculares e estiramentos

Lesões Musculares e estiramentos

A Lesão Muscular (estiramento, distensão ou ruptura muscular) é uma lesão comum nos membros inferiores, principalmente entre os atletas.
Quadríceps
Usamos como modelo de estudo a coxa, provavelmente o local mais frequente de lesões musculares nos atletas de modo geral. 
O coxa tem três conjuntos de músculos: os músculos isquiotibiais na parte posterior da coxa, os músculos extensores do quadríceps na frente e os músculos adutores na face interna da coxa. Os músculos do quadríceps e isquiotibiais trabalham juntos para estender e fletir o joelho. Os músculos adutores em conjunto com os glúteos realizam a adução e abdução.  Os grupos de músculos isquiotibiais e quadríceps estão particularmente em risco de distensões musculares, pois eles cruzam tanto o quadril quanto o joelho ( biarticulares). Eles também são usados ​​para atividades de alta velocidade, como competições de atletismo (corrida, obstáculos, salto em distância), futebol, basquete, etc.
Sintomas
Uma pessoa que sofre uma lesão muscular na coxa freqüentemente descreve uma sensação de pontada, estalo ou estiramento muscular. A dor é repentina e pode ser severa. A área em torno da lesão pode estar sensível ao toque, com hematomas visíveis 1 ou 3 dias após a lesão em alguns casos. Em geral o atleta leva a mão no local da lesão quando sente a dor. ( muito comum observamos o jogador de futebol levar a mão na região posterio lateral da coxa, pouco abaixo do glúteo nas rupturas do bíceps femoral da coxa)

Mecanismo de lesão
Lesões musculares geralmente acontecem quando um músculo é alongado além do seu limite, rasgando as fibras musculares. Elas ocorrem frequentemente na transição tendão músculo. Uma lesão similar ocorre se houver um trauma direto sofre o músculo, mais provavelmente ocorrerá uma contusão muscular nesses casos. Os estiramentos musculares na coxa podem ser muito dolorosos. Após um estiramento muscular o músculo é vulnerável a uma nova lesão, principalmente nas semanas sequintes a lesão. O tratamento adequado é fundamental para permitir uma cicatrização correta e prevenir recidivas.


Diagnóstico

Importante colher uma história clinica e procurar por hematomas e GAPS ( falhas, buracos) na musculatura que se tormem mais visíveis com a contração muscular. Os exames de imagem como ultrassom e Ressonancia  quantificam a extensão da lesão e ajudam na classificação.
Classificação
Distensões musculares são classificadas em 3 graus de acordo com sua gravidade.

Grau I: desconforto leve na deambulação ou no alongamento. O alongamento passivo do músculo é possível o produz pouca dor, nos exames de ultrassonografia e ressonância magnética vemos um edema muscular. 

Grau II: ruptura parcial. o paciente se queixa dor à palpação, dor ao estiramento contra resistência e pode limitar a amplitude de movimento das articulações adjacentes. Na ressonância magnética já observador lesões musculares.

Grau III: é uma ruptura total do musculo. São menos frequentes, e o atleta tem dor importante principalmente durante flexo/extensão ou adução da coxa. o edema e a equimose são frequentes edema, há depressão ( gap) palpavel no local da lesão. 

Tratamento
A maioria dos estiramentos musculares podem ser tratadas com o protocolo de Rice. 

Prevenção das Lesões Musculares
Vários fatores podem predispor o atleta a lesões musculares, incluindo:
Encurtamento Muscular. Músculos escurtados são mais vulneráveis ao estiramento. Os atletas devem seguir um programa durante todo o ano de exercícios diários de alongamento.
Desequilíbrio muscular. o imbalanço entre os músculos agonistas e antagonistas é um fator importante das lesões musculares músculos mais fracos são mais suceptíveis a lesão.
Condicionamento físico inadequado. O baixo condicionamento é um fator importante na gênese das lesões musculares 
Fadiga muscular. Fadiga reduz a capacidade de absorção de energia dos músculos, tornando-os mais suscetíveis a lesões.


Aquecimento: Um aquecimento adequado é protetor, porque aumenta a amplitude de movimento e reduz a rigidez. 

Fatores predisponentes para recidiva de uma lesão muscular
Perda ou deficiencia da flexibilidade muscular
Lesões antigas nesse músculo ou em músculos próximos
Desequilíbrios muscular (força entre músculos de ações agonistas e antagonistas) quando por exemplo o músculo da parte da frente da coxa fica muito mais forte que o músculo posterior da coxa
Formação de tecido cicatricial em abundancia diminuindo a flexibilidade
Fisioterapia ou reabilitação incompleta
Distúrbios nutricionais, principalmente falta de proteínas na alimentação.
Fadiga e fadiga muscular
Treinamento Inadequado.
Aquecimento inadequado
Incoordenação de movimentos
Técnica incorreta na execução dos movimentos.
Sobrecarga- principalmente com vários treinos anaeróbicos em curtos intervalos.

Tratamento 
Mobilidade Precoce.

•PROS
acelera o crescimento capilar
melhora regeneração e a força das fibras musculares
melhora a orientação em paralelismo das novas fibras

A recuperação é mais rápida em relação aos casos tratados com imobilização.
•Contras
Mobilidade muito precoce
Aumenta a produção de cicatriz 
Impede a entrada de miofibroblastos na cicatriz

Maior chance de reruptura quando a mobilidade é muito precoce.

Imobilização

•Pros
Imobilização precoce diminui reruptura
Diminui a formação do excesso de cicatriz
Contras
Imobilização prolongada leva a atrofia muscular das fibras saudáveis
Retarda a recuperação da força e da elasticidade muscular pré lesão.
No 10 dia de lesão a cicatriz já é mais forte que o músculo ao redor nos testes de estiramento. 

Dr. Marcos Britto da Silva
Ortopedia, Traumatologia e Medicina do Esporte
Botafogo, Rio de Janeiro, RJ
atualizado em 30/09/2013

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